Três Passagens: da FLAP!, de segunda-feira e de uma carta a Clarice

por Marco Aqueiva 

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Flap! na valise

 

         I

 

 

O lenço de papel e a atmosfera: o nariz ao redor da valise e o limite da clausura

 

Os sapatos e o caminho: os pés na valise e o limite do horizonte

 

Os óculos e os sonhos: os olhos de dentro da valise e o limite do sonho

 

O headfone e a mídia: os ouvidos além da valise entre os últimos pregadores e o limite das conspirações que não se escutam

 

 

 

 

         II

 

 

F de   Flap   e de               Filme transparente de PVC

 

L de   Literatura e de  Limite utilizado internacionalmente

 

A de   Afinidades e de Aproximação

 

P de   Para antes de   Preservar, embalar, proteger, higienizar

 

as redondezas desvelarem que da valise do poeta

 

pode sair

 

Flagrito

 

Lâminas

 

Antivendígitos

 

Palavras

 

Futuras

 

Livres

 

Até, Poetas !

 

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SEGUNDA-FEIRA: Questão de Valise

                                     ________________ 

por Tânia Du Bois

______________

 

                                   

 

                                       “Segunda-Feira

 

                                 

 

                              Sonho

 

                              em noites

 

                              de lembranças

 

                              o corpo

 

                              descansa sobre a cama

 

                              os olhos fechados

 

                              não refletem a escuridão do quarto

 

                              as horas passam em amanheceres.”

                              (Pedro Du Bois)

 

 

 

          Segunda-feira é o dia repleto de surpresas. Muitas pessoas passam o tempo se queixando do cansaço de descansar no domingo; passando por reclamações de “Isto ou Aquilo”, seja pelo prazer ou não: um dia indiferente, arrumar a valise.

 

          Segunda-feira sempre será o dia depois do domingo. O compreensível seria considerá-lo o dia mais importante, livre e leve, pois é o dia das atividades, alicerce da semana; por conseqüência o dia de novas emoções e o reflexo dos passos dos próximos: um dia indiferente, valise na mão, pé no portão.

 

          Segunda-feira, a possibilidade de extensa e criteriosa programação de viagem; dedicar-se apenas em extrair de cada motivo a última gota de  expressão. A conquista é se livrar da lentidão do domingo: um dia diferente, mais leve a valise.

 

          Segunda-feira, belo dia para perseguir as atividades, ocupar posição única, algo a se ver. Buscar e resgatar o seu eu, se reencontrar com o destino em atenção ao domingo que deu sentido ao ritmo, determinando seu antevisto no acordar e se saber vivo: um dia diferente, valise pesada.

 

          Segunda-feira, segue carta, tá? Para variar um pouco estou mandando pelo correio. Aqui tudo bem. Não quero nada com as mulheres daqui. É a ti que amo, nunca esqueça disso. Beijos, abraços. Saudades e vontades: a diferença entre os dias, a carta na valise.   

 

          Segunda-feira, considerada a nossa âncora, o reinício da caminhada e da esperança: aqui e agora vou ser feliz – a continuação dos amanheceres: a diferença entre os dias; valise mais pesada ou mais leve, nunca será igual.   

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por Carlos Pessoa Rosa

A valise de Cecília Meireles chegando às mãos de Clarice Lispector

DIÁLOGO COM TEXTO DE SAIDE KAHTOUNI

 

 

 

 

CARTA escrita e guardada em uma valise, somente agora descoberta, com a recomendação de que fosse lida depois da morte de clarice

Querida Clarice (para ser lida depois de sua morte): 

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Não fosse você, eu teria passado à mercê dos mistérios dos cantos, da imaterialidade da sombra, da necessidade de sermos impertinentes conosco e com a vida.

Não fossem transportadas para suas escrituras as condições de aprisionamentos a que estão submetidas as pessoas, talvez eu não saísse de minha clausura e teria desistido do mundo.

Mas Clarice existiu, nascida do acaso da poeira cósmica, desse encontro do espermatozóide com o óvulo e que, apesar das regras do acaso, pais acreditam serem os donos.

Quem, Clarice, poderia imaginar que um dia, quando podemos apenas tocar a alma, que corpo já não existe, eu poderia dizer que você me transformou em seu instrumento literário, posso dizer até que se ainda existo é pela sua persistência em não desejar nunca fazer um ensaio sobre o amor, mas conversar comigo sobre a vida.

Do amor, para Clarice…

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Crédito de imagens: Magritte e Klimt

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Uma resposta to “Três Passagens: da FLAP!, de segunda-feira e de uma carta a Clarice”

  1. Três escritos, desfiam meus sentimentos.

    Desde um FLAP na Valise, flutuantes Segundas-Feiras em transição, entre ” o amanhecer e o anoitecer”, uma Carta de Amor para Clarice, remexem as sombras deste domingo. Ler e degustar cada momento, para que meus dias nunca mais sejam exatos.
    Certamente, ao escrever tombamos Vivas Valises para que o ‘arrumar de malas’ seja sempre uma boa orelha do tempo, que viaja, entre leitores-escritores e que boa esta viagem.

    Parabéns, Marco, Tânia e Carlos Pessoa Rosa, e gracias pelo tempo de leitura, boa semana a todos …

    Carmen Silvia Presotto

    Carmen Silvia Presotto

    Ao escrever, Escreven

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