Arquivo para outubro, 2008

A VaLiSe DO PROFESSOR

Posted in Art, arte, Dia do Professor, Dissertação, Magistério, semiótica on 31 outubro, 2008 by Marco Aqueiva

 

Fátima Brito propôs ao Projeto Valise 2008, ao final de setembro, organizar entre os alunos do Colégio Atibaia um concurso de redação nas modalidades NARRATIVA (destinada aos alunos do ensino fundamental – 8º e 9º anos) e DISSERTATIVA (aos alunos do ensino médio – 1º, 2º e 3º anos), respondendo essencialmente às seguintes questões: – que motivações pessoais levam à escolha pela profissão de PROFESSOR? Estariam certos os que atribuem a ela o caráter de missão? Enfim, o que há na valise do professor ?

 

Informamos que está em andamento a pré-seleção dos finalistas à categoria narração.

 

Quanto à categoria dissertação, comunicamos que, tendo sido feita a pré-seleção, foram submetidos os cinco textos finalistas à comissão julgadora composta por:

 

– Carlos Pessoa Rosa

– Carmen Presotto

– Nilza Amaral

– Pedro Du Bois

– Tânia Du Bois

 

Temos então o prazer de, ainda no mês de outubro, em homenagem aos professores, anunciarmos os dois vencedores:

 

1º LUGAR:  Débora Barbosa Roncon – 2º ano EM

2º LUGAR:  Leandro Henrique de Oliveira – 3º ano EM

 

É assim com imensa satisfação que parabenizamos os vencedores pela expressividade de seus textos, bem como todos os participantes pela disposição e empenho na atividade.

 

Por fim, cabe a nós agradecermos em especial o acolhimento da proposta pelos membros do júri, que de pronto se dispuseram a pôr seus sobejos talentos a serviço da descoberta de novos talentos.

 

 

Visão, missão, profissão

 

por Débora Barbosa Roncon

 

 

 

Ser simplesmente um profissional não  torna alguém satisfeito com a sua existência. Há, em cada um, a necessidade de descobrir a missão que lhe foi imputada; todos, sem exceção, possuem a sua.

 

Toda profissão tem sua identidade, seu mérito, sua incumbência, porém a de um professor é peculiar, não a de um professor meramente profissional, aquele que atua apenas por ofício, mas a daquele que leciona por paixão. Este ser humano guarda dentro de si sentimentos benevolentes para com o próximo; tem sede de amar, de compreender, de ensinar, de aprender, de beneficiar. Em sua valise, carrega experiência de vida e a compartilha com outros. Necessita envolver-se.

 

Por isso, não são raros os casos em quem professores aconselham alunos; em que alunos se sentem mais íntimos deles (professores) do que de seus pais. A fome de levar conhecimento é tanta, que enfrentam obstáculos, como rejeição, e preconceito, como falta de infra-estrutura escolar e salários baixos.Todavia, faltam hoje no Brasil professores apaixonados, e tem crescido o número daqueles que são apenas profissionais.

 

A imagem social do professor está embaçada. Cabe a cada um retirar as barreiras que o impedem de enxergá-la em toda sua dimensão e dar a ela o valor que lhe é devido.

 

O Prazer de Ensinar

 

por Leandro Henrique de Oliveira

 

 

 

A cada dia que passa vemos que a educação vem ocupando papel de destaque na formação de um país, fato que faz do professor o profissional mais indicado para semear hoje para que haja colheita no amanhã, mesmo que neste amanhã não esteja mais aqui para contemplar o sucesso de seus alunos.

 

O educador renuncia um pouco de si a cada dia, vive em constante processo de formação técnica e humana. Em seu dia-a-dia na sala de aula,  não só ensina a resolução de uma expressão numérica ou a elaboração de uma redação, também ajuda na preparação do nosso futuro, possibilitando que carreguemos, em nossa valise pessoal, o ensinamento eterno.

 

Ser professor é vocação, temperada por várias noites em branco, inúmeras tarefas a serem corrigidas, uma rotina dura. Não raro, equilibram -se entre três turnos de trabalho, tentando manter o humor e competência em todos. Entram às vezes indispostos na sala de aula e mesmo assim convertem seu cansaço em um ensinamento profícuo, professando sua fé na certeza de que nada será em vão.

 

Enfim o professor é o mestre que tem consciência do seu papel profissional, aponta os caminhos a serem percorridos, deixando-nos, porém, caminharmos com nossos próprios pés. Por incontáveis vezes, tornam-se pai, mãe, e até mesmo psicólogo para tentarem nos entender. E, com essa sobrecarga, seguem sua rotina, lutando por um salário digno, que traduza com justiça sua importância social, sempre buscando compartilhar seu saber. Mas, acima de tudo, persistem em nos oferecer asas para que possamos voar sozinhos.

 

Arte: Marco Aqueiva

 

 

 

 

 

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Comunicado

Posted in literatura, literature on 30 outubro, 2008 by Marco Aqueiva

 

VaLiSe que oS PAIS deixam aos FILHOs

Posted in Art, arte, carta, Censura, guimarães rosa, liberdade de expressão, literatura, literature, semiótica on 28 outubro, 2008 by Marco Aqueiva

Talvez não seja ocioso dizer que ESTA POSTAGEM É UMA VALISE SOLIDÁRIA! 

 

Vilma,

 

Nasci filha de escritor. Doei para o meu pai, desde o meu nascimento, longas horas  da  minha  infância  e  da  minha adolescência.  Meus  irmãos  doaram outras tantas horas.

 

Minha mãe dividiu o marido, durante décadas, com sua amante, a literatura. Mas meu ciúme de criança foi se atenuando, ao longo dos anos, e mais ainda com o chegar da maturidade. Passei a admirá-lo, respeitá-lo, reverenciá-lo. Principalmente,  passei  a  compreendê-lo.  Literatura,  para  o  meu  pai,  o escritor Alaor Barbosa, é e sempre foi devoção. Triste do filho ou da filha que não respeita e nem compreende as devoções paternas.

 

Assim  como  você,  também  sou  herdeira de uma obra literária. Grande, extensa, profunda, séria. Fruto de muito trabalho, pesquisa e esforço, feita com paixão e talento. Obra reconhecida e tantas vezes premiada. Falo de quase meio século de produção literária, tempo bem maior do que eu mesma tenho de vida. Meu pai, Vilma, já era escritor antes de eu nascer.

 

Tenho a sorte de ter meu pai comigo, avô carinhoso das minhas filhas, em almoços de domingo. Vivo, feliz e produtivo. Mas já estou de posse da herança que ele me legou. Foi uma partilha sem desavenças, entre a família e os amigos. Não a herança material, mensurável, quantitativa, que se deposita em conta bancária. Desta, basta-nos o óbolo de Caronte. O que recebi de meu pai foi um norte, um rumo, um equilíbrio, um eterno buscar da verdade. O amor e o respeito por tudo de bom que o ser humano já produziu.

 

Você, Vilma, também recebeu uma herança. Magnífica herança, portentosa, imensurável. A herança de um gigante. A herança de um gênio, primus interparis. Temos, portanto, responsabilidades. Eu e você. A minha, talvez mais leve, é a de impedir que a herança de meu pai seja aviltada, desqualificada, vilipendiada. Isso, tenha certeza, não acontecerá. As inverdades, calúnias e difamações são muito fugazes e, uma vez reveladas, deixam despida aquela que as inventou. Aliás, é assim que eu vejo você: despida, nua, pelada. Porque mais marcado será sempre o caluniador do que o caluniado. Já a sua responsabilidade, Vilma, é a de não abastardar, não apequenar, não diminuir a sua herança, o seu legado. A obra do seu pai é universal. Não a amesquinhe, não a reduza a herança à estatura da herdeira.

 

Num país como o nosso, Vilma, tão carente de cultura, tão necessitado de modelos, tão merecedor de exemplos, resta-me recordar as palavras de outro ídolo de meu pai, Monteiro Lobato, cuja biografia para crianças também saiu da máquina de escrever Olivetti que havia na biblioteca lá de casa. Lobato disse que Um país se faz com homens e livros. Você, portanto, quando tenta impedir a existência de um livro, de uma obra literária, espanca a inteligência nacional, ofende a tantos que tombaram em nome da liberdade e do direito de expressão e do livre pensamento! Talvez, Vilma, seu tempo tenha passado. Imagino você mais feliz vivendo uma outra época – mais escura do que a de agora. Talvez sob o Estado Novo ou abrigada pelo AI-5. Imagino você, Vilma, com um carimbo de censura na mão, – arma  formidável! – detentora exclusiva da faculdade de permitir ou não que alguém leia, fale ou pense. Para nossa sorte e infelicidade sua, vivemos tempos mais claros. E você, faça o que fizer, diga o que disser, jamais impedirá meu pai de ler, escrever, falar ou pensar. Nem meu pai nem ninguém.

 

Portanto, Vilma Rosa, não acenda fogueiras com livros. O fumo do livro incinerado escurece uma Nação.

 

Cada um de nós tem seus próprios ídolos. Sorte do meu pai, que fez boas escolhas. Os seus, parecem ser o Index Librorum Prohibitorum, o Santo Ofício, Savonarola e Torquemada. Talvez, até Herr Goebbels… Eu, que também tenho os meus, cito um deles: você vai amargar vendo o dia raiar sem lhe pedir licença…

 

Lembre-se, Vilma, você é apenas uma filha. Você é apenas uma herdeira que avilta a herança magnífica que recebeu.  Pena constatar que nem tudo que Guimarães Rosa nos deixou é tão bom quanto a sua obra literária.

 

Noemia Barbosa Boianovsky

 

Arbitrária Tentativa de Censura

 

Já ganhou a atenção da imprensa e de instituições de direitos autorais e de defesa da liberdade de expressão, como a ABI e ANE, o intento de herdeiros de autores, quando não dos próprios biografados, de querer impedir a publicação de biografias. Mais de uma vez a UBE abordou o problema, posicionando-se, como é sua obrigação, contra essa forma de censura que se mascara de proteção de privacidade. De novo em pauta uma nova intenção de proibição, que busca o apoio da justiça onde ele é indevido e inoportuno. Em pauta agora a busca de interdição, isto é, de censura, do livro de Alaor Barbosa Guimarães Rosa.

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Fonte:  http://www.ube.org.br/home.php . Para maiores informações, basta acessar o mesmo endereço da UBE União Brasileira de Escritores, onde se dispõe de um bom material sobre o caso.

 

Arte: Marco Aqueiva a partir de obra de Rafael Olbinski + foto e imagem da grande queima de livros pelo nazismo e por Savonarola

Numa VaLiSe ?

Posted in arte, literatura, literature, narrativa, semiótica on 25 outubro, 2008 by Marco Aqueiva

por Dirce Lorimier

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De minha valise onde guardo recordações simples, de gente sem nenhuma erudição, me lembro que ela sempre repetia a mesma ladainha. Casara sem amor, para livrar-se da enxada. Isto ela repetiu durante décadas. Um dia, logo pela manhã, ele saiu e só retornou de terno e gravata, embalado num caixão. Ela não chorava. Estava atônita. Mas não fora por isto que sempre havia esperado?

Naquele caixão foi embora uma grande parte dela mesma. Com quem iria implicar agora? Quem aguaria as plantas, quem compraria frutas fresquinhas, logo pela manhã? Quem arrumaria a sua cama à noite, tirando a colcha rendada e colocando no jeito os seus travesseiros e a sua camisola?

Ela foi se tornando feia, sempre mais feia, sem vida, morria um pouquinho todos os dias. “Eu não sabia que ele servia para alguma coisa…” E morria um pouquinho todos os dias.

E morreu. Não sem antes recomendar que a fizessem repousar junto dele, sem nenhuma separação.

“Eu tenho medo de ficar sozinha” – justificava ela, no prolongamento de sua angústia de morte. “Não me deixem sozinha”.

Mais uma vez, ela venceu. Morto há apenas quatro anos, o que restou dele foi depositado numa pequena urna branca, encostada num canto, e ela se esticou todinha na amplidão do 6609. Uma tempestade dirigia o coro dos ramos dos chorões, cujas mútuas chicoteadas e o riscar dos raios davam um tom macabro ao requietório. Ao fim da sinistra cerimônia uma névoa tranqüila embalava aquele campo silencioso.  

Arte: Marco Aqueiva a partir de Paul DELVAUX e imagens do blog http://diaounoite.blogspot.com/

VaLiSe do Medo

Posted in Antropofagia, Art, literatura, literature, poesia, semiótica on 23 outubro, 2008 by Marco Aqueiva

 

por F Chagas

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Existe sempre um momento em que o medo

assume a desistência de um segredo

ganha corpo, ganha brilho

nos olhos de quem ama e de quem não ama

 

Nas frestas do dia penetra,

lobo atrás do pouco que resta

de ânimo na alma,

a água que se espalha

nos nossos pés fugidios

na réstia da porta

 

Ontem foi assim

amanhã será a ponta cinzenta

da lança

na margem serena da aurora

e não haverá palavra

capaz de romper a crosta

do que se avoluma e forma a pele do dia

 

Quem sabe um samba possa

da voz de quem herdará a noite

tocar de leve no monstro e lhe mostrar a saída

 

Arte: Marco Aqueiva a partir de Irwin Klein (fundo), Goya, Arnold Böcklin e Picasso.

Grilos na VaLiSe

Posted in conto, literatura, literature, narrativa, semiótica on 21 outubro, 2008 by Marco Aqueiva

por Juliana Behlingsp

Grilos?

 

Será que os ouço?

Inferno de prédios sujos, ruas histéricas, fedendo a urina e restos podres.

Grilos?

A esquina, bueiro entupido, retorno de esgoto onde gatos e cachorros sarnentos fazem a festa como gozando de um presente dos céus.  Abastecem-se dessa água com dejetos que aliviam a fome. Assusta-me o olhar de crianças com inveja daquela singela alegria. Sinto medo. Cadê os pais desse seres? São somente olhos, inertes, postados diante da novidade, enfileirados como que esperando a ordem para se juntarem ao banquete.

Pulo a água suja, tentando não me contaminar pelo alvoroço e alegria dos cães. Protegendo de qualquer gotícula minha valise, sigo.

Grilos?

Será que os ouço?

Permito-me não sentir os cheiros, não ouvir os sons, não me incomodar com os pedidos daqueles que têm fome ou simplesmente querem continuar. Permito-me não olhar os espelhos por onde caminho, pois a imagem refletida com certeza não é a minha. Alienação total conseguida à base de medicamentos: para acordar, para comer, para deixar de comer, para ficar alegre, para controlar as emoções, para dormir. Que sou eu, senão um monte de remédios?

Grilos?

Será que os ouço?

Sou abordada por uma senhora, de aparentemente 70 anos. Vejo sua pele toda ressecada, cheia de feridas abertas, expelindo pus, meu Deus, o que será aquilo? Ao abrir a boca, seu hálito fétido inunda o espaço, e não consigo ouvir seu pedido. Corro, pois em suas pupilas vislumbro a minha figura. Corro de mim mesma.  O som de sua voz ao longe ainda é clara: “Cuide dos Grilos” .

Preciso de um remédio, estou consciente dos meus pensamentos.

Grilos?

Será que os ouço?

O caminho longo, tarde quente, mormaço que incomoda, mela e gruda, gente andando sem rumo, perdida, ausente.

Agarro a minha companhia, minha valise. Onde estará o dia em que foi reluzente? Abraço-a, toda marcada, manchada, assim como a dona, ferida, muito ferida.

Ninguém me espera, ninguém sente a minha falta, poucos sabem o meu nome, não tive filhos, vivo sem parentes, animais nem pensar, sou assim, uma velha medrosa que carrega uma valise.

Uma velha medrosa, drogada, que carrega uma valise e que agora ouve barulhos de grilos!

Conhecidos que sumiram com os anos, sempre me questionaram o que carrego; os driblei, nunca assumi, nunca a abri para que os outros vissem. Houve apostas de que, no dia da minha morte, seriam encontradas em seu interior milhares de notas sem valor. Coitados, nunca nem chegaram perto, nenhum deles tem a capacidade de entender a minha sanidade insana.

Minha valise, quando nova, guardava felicidades, sonhos de uma vida abastada de conhecimentos e amigos, a casinha no campo com cerca branca, labradores brincando no quintal, o pôr do sol mais lindo, a viagem perfeita, o encontro de almas, a quietude após o amor, a delicadeza de ensinar os filhos, o cheiro da terra após a chuva, o cheiro do mar ao amanhecer, o arrepio da pele ao ver o ser amado, a lágrima que rola quente…

O destino, insano caminho, esvaziou a minha valise, minha alma, meu ser.

Fiz um pequeno buraco, anos atrás, na parte de baixo da minha valise e, por esse pequeno espaço, deixei fluir por anos tudo o que havia guardado, pois para mim serventia não havia mais e teimosamente acreditava que quem encontrasse pudesse fazer desses meus guardados um bom uso. Como uma herança.

Minha valise há anos está vazia, completamente vazia, pois pelo espaço aberto também deixo fluir as dores das perdas, os sonhos desfeitos, o filme não visto, a angústia da solidão, o cheiro da podridão, o medo de morrer sozinha .

Não carrego nada na valise, não carrego nada na alma, não carrego nada no meu ser.

Grilos?

Será que os ouço?

Fecho emperrado, após tantos anos, forço e quebro o lacre da minha alma.

Cheiro velho, mofo, vasculho e não encontro nada, só o tecido roto e desbotado.

No fundo, algo se mexe, será um grilo?

Animo-me, seria como um milagre. Esboço um sorriso.

Observo atentamente e noto que nada se mexe, é somente a luz que teima em entrar pelo espaço aberto, por onde deixei escapar todos os momentos.

Grilos?

Será que os ouço?

Cadê os meus remédios?

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Arte: “Paisagem urbana com grilos”, Marco Aqueiva, a partir de fotografia de Joshua Benoliel e imagens extraídas de http://osverdesfotos.googlepages.com/lixos, http://www.quemtemsedevenha.com.br/paisagem.jpg, http://marlonstein.com/fotos/album/Insetos/grilos+e+gafanhotos/

Anaïs Nin na VaLiSe

Posted in Anaïs Nin, arte, Frida Kahlo, literatura, literature, poesia, semiótica on 18 outubro, 2008 by Marco Aqueiva

 

por Adriana Versiani

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Anaïs

 

 

 

Era violentamente acariciada

 

Ali mesmo, de pé, tudo vertigem e ópio.

Ondas de dor e prazer

 

Sentimentos de morte a atravessavam.

 

As sílabas se prolongando e a cada movimento,

do céu da boca até os dentes,

os lábios se mexiam bem devagar.

 

A língua dele lambendo suas palavras,

 

Ali mesmo, de pé, foi possuída pelo abismo.

 

 

Arte: “Anaïs por Frida com Beija-Dor” – Marco Aqueiva a partir de Frida Kahlo