VaLiSe de uma navegAÇÃO

agua-copyklimt

por Flávio Viegas Amoreira

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Parecia ter vida nada perigosa; as palavras eram-lhe estrangeiras: perdia noção importante dos fatos quando mudava um caminho, era um peregrino desses que pousam em choupanas solteiras de vizinhança. Queria num descampado lançar uma flor ao Sol e ver Deus despentelhando: caíra num mundo de mal-me-quer : queria entrar pra dentro, ter morada com mulher e um filho que não andasse longe da vista. Se não tem fim essa causa de andar, onde tivesse bom tempo seus ossos comporiam alma familiar ao canto de árvore. Tinha em falta uma razão de ser quieto, inconstante tanto sabia, deitava noites por uma frase: esculpia um arco sobressalente em Sagitário, punha venda nos olhos para voltar cansando, confundia braço com riacho: era incertidão matreira de proceder nas coisas. Qualquer sedento finge não ouvir direito. Deu fim: quero maior espelho! rampa sair daqui ligeiro! rampa voa dessa gente faladeira. disser onde fora cairia assim meio mentira: meio, sempre tem um termo que ressoa, forja contornos: a verdade tem a sorte abolida. desfilava na cautela dum presságio: certamente a manhã não faz ouvidos e tenho eu mesmo lampejar destino. o que dito sozinho não se arrepende. Não tenho detalhes, terço-me: falta correção de uma voz que ouça escute sem espanto dizer o que entretenho: um olho de peixe / tela atachada de Klimt, o olho com barbatanas, uma arraia ofegante: o repetidor deparado na auto-estrada : tive de tomar um curso no asfalto, as vicinais me tiram da trilha. beiral uma velha fita e me corrige estranhezas: será de onde esse peste sem eira? rapaz fino no tratamento sem recato dessas paragens. Sorri no cumprimento, esgazeia. Acordara decidido alcançar a vista: esses interiores não distavam do repuxo: uns vinte quilômetros abaixo era outro planeta na vegetação e relevo, vinte quilômetros diferem interior da borda, o continente começa vinte quilômetros pra dentro: naquela faixa até o Mar é orla / estreito: Mar já não define diferença. nenhum rio desabalava dentro até as praias: os vales donde eu procedia eram amplidões de rios lá pra cima, repuxos do dia em que Mar maior encolhia. O meu remorso é o que me carrega: quero apagar um fogo que me conduz eu tenha andado assim por essa persistência: ganhar terreno embornal uns tratados de botânica e breve só versos pois as flores nos manguezais aí se misturam. Onde a terra amolece é duro achar distinção de caule pétalas: o vento é mais nítido que um tronco que se mistura aos predadores rasteiros.

Arte: Marco Aqueiva à base de Klimt

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Uma resposta to “VaLiSe de uma navegAÇÃO”

  1. Valise mais enriquecedora ainda com o mareante ‘neo-barroque’ do Flávio, siri do lodoso com olhar nos 360 graus do caos oceânico literário. Estamos sempre a apre(e)nder.

    abraço,

    carlos

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