Perversões na Valise I: – Os três HoMeNS, suas VaLiSeS e o OpaLÃO PREto

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Valise de onde a CID-11

A Carlos Pessoa Rosa

por Marco Aqueiva

 

Os três homens entraram no Opalão preto. Cada um deles com sua valise. Recolheram a primeira vagabunda logo na Aurora. Deram a volta e, no mesmo lugar, abordaram a segunda, que, resistindo, obrigou o maior deles a dar-lhe um pescoção e jogá-la para dentro. São João à frente, rodaram muito até o Tremembé. Pararam num galpão abandonado. Um dos homens abriu sua valise e tirou dela um sonho voraz que lhe estendeu uma banqueta, uma enorme lona preta e um alicate. Um por um os dentes de cada uma das putas foi retirado. O mais velho não perdeu tempo. Sentado na banqueta, tirou da valise a câmera digital. O terceiro, que carregava a maior das valises, trancou as duas no porta-malas com dúzia e meia de famintos filhotes de ratazana por uns bons vinte minutos.

 

Já caía o crepúsculo, quando, com um triste sorriso de mártir, os três artífices da paixão retornaram ofertando o que semelhava vagamente a ventre sexo vísceras seios, em praça pública, numa barraquinha de lona preta, aos peregrinos em romaria à gruta de Santa Maria Egipcíaca.

 

Ao fim, discretamente, o Opalão preto seguiu em frente atirando para trás as continhas finais, dentes, artelhos, orelhas, narizes, rosário de sobras de nudez e santidade, à turba de zumbis viciosos, isolados em frente a simuladores 3D de prazer em tempo real.

Arte: Marco Aqueiva à base de Españoleto, Monica Piloni e brinquedos.

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2 Respostas to “Perversões na Valise I: – Os três HoMeNS, suas VaLiSeS e o OpaLÃO PREto”

  1. Marco é chocante e tão real a crônica… Infelizmente há dejetos humanos em muitas mentes.
    Ao final de ler tua crônica, lembrei de um dizer de Nelson Rodrigues:” É uma desgraça ter o sexo na cabeça e não no coração…”

    Bem, que o Opalão Preto nos guie a dias melhores…

    Um abraço carinhoso

    Carmen Silvia Presotto
    http://www.vidraguas.com.br

  2. Fantástico! Perverso, chocante, escatológico… Pós-antropofágico. Virtual ou real? Silvia lembrou de Nelson Rodrigues. Eu colocaria algo entre Nelson Rodrigues e Apollinaire de “As onze mil varas”, pensaria em pornografia pós-moderna, da dessacralização do corpo. Delírio? Vamos ver no que dá…

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