Perversões na valise III

 

 

olho-pasmo

(2) Sonhos do segundo

Cunhé cunhé cunhé cunhé. Minha vó, dá perninha de moça pra mim comer. Só tem papo de anjo, filhinho. Mas falta calda de fruta. Assim, fiozinho, quando serpente der o bote no descampado verde, traga melão, melancia, moranguinho. Antes vá lá no chão batido e pegue uns trocinhos de carvão. Não se esqueça de pôr seu narizinho de ciclope e levar a klaxon de seu avô carcamano. Põe dez real de gasosa que ninguém segura o opalão.

 

Alegria, alegria, não vim ao mundo pra ser pedra. Ninguém segura este opalão. Cracatá cracatá cracatá – melão melancia moranguinho – asa de galinha miúdos e toucinho. Cracatá cracatá cracatá. Não vim ao mundo pra ser pedra. Ninguém segura este opalão.

 

Encontrou dois enormes melões com olhos de crack, mais um figura de falências e protestos. Foi em frente dispensando a ambição robusta.

 

A melancia caiu-lhe no capô ameaçando a visibilidade. Deitou-lhe fora já na floração da vulva. Como ir além se as paisagens não se vêem tamanho o pandeiro aberto?

 

A terceira invadiu-lhe a mata resumida da tela. Sorriso, lagartixo e espadachim, fartando-se atracado a moranguinho. Chupou-lhe o penacho os bigodes e os pêlos de onde saiu ainda menino ainda pálido e magro, ainda em seu opalão preto, atrás de sua história. Atrás das frutas, com olho torto nos passarinhos e no pomar.

 

Alegria, alegria, sempre diz Eros. Pão com ovo ou banana no pão.

Não vim ao mundo para ser pedra. Cunhé cunhé cunhé cunhé.

Texto e Arte: Marco Aqueiva

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