Arquivo de fevereiro, 2009

VaLiSe(s) pela PoeSiA CORpo SOLidário

Posted in 2009, Art, arte, Crítica, Dia internacional da Poesia, Dia nacional da Poesia, literatura, literature, mídia, poesia, semiótica, Valises on 25 fevereiro, 2009 by Marco Aqueiva

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por MARCO AQUEIVA

 

Nos salões e avenidas

a arte de conjugar

braços pernas vertigem

samba suor espirais

 

Outro lado da tela

olhos a olhar taquaras

clarão sem brilho

ao meio das rugas

 

Aqui de mãos vazias

olho surdo ao calor

de sambas conjugando

a nudez ostensiva

 

o turbilhão de imagens

clarão de astros sem brilho

chanchadas maculadas

de álbuns pornográficos

 

Nos quatorze mil verbos

da língua portuguesa

construindo a linguagem

dissonante dos poetas

 

               agem mãos pés braços

por um corpo solidário

 

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14 de março – Dia Nacional da Poesia

21 de março – Dia Internacional da Poesia

 

A partir de 14 de março, publicaremos, além das habituais valises ficcionais e ensaísticas, textos que circundem a poesia, que dela tratem, conjugando vozes, construindo um canto solidário.

 

Meus amigos:

Contribuam, enviando sua colaboração para

 

marcoaqueiva@yahoo.com.br

 

 

 

 

 

CARNAVÁRIO – Três VaLiSeS para a FoLiA

Posted in 2009, Art, arte, Carnaval 2009, carnavalização, crônica, literatura, literature, poesia, semiótica on 22 fevereiro, 2009 by Marco Aqueiva

carnaval-di-cavalcanti

Di Cavalcanti – Carnaval

por MARCO AQUEIVA

 

 

 

No riso que

                    desce

                              sem saciedade

um riso que se autocoroa coletivo

exilado por quatro noites de sua dor

no carro abre-alas e o sorriso em show

o poeta dança enquanto vive

                                          morre

quando não dança voluntariamente

 

e ainda pergunta-se: com que samba

 

eu vou?  

 

bosch_129_2020-delicias Boscho Jardim das Delícias Terrenas

 

Por NILTO MACIEL *

A festa no balneário começou cedo da noite. Centenas de jovens da cidade e mais alguns visitantes. Todos em trajes de carnaval. Camisetas, bermudas e xortes coloridos. A orquestra tocava sem parar. Marchinhas antigas, em pupurri, misturavam-se a músicas baianas e frevo. Todos pulavam, saltitavam, dançavam, num frenesi contagiante. Tudo fremia cabeças, troncos, membros, cadeiras, mesas, latas, o chão. Cantavam e gritavam. Poeira e fumaça no ar. Eurico tocou as nádegas de uma garota. Gilberto, Jesonias e Carlos gingavam ao redor de uma mesa. Otávio chamou Noé a um canto. Alessandra, Cátia e Márcia sacudiam os quadris no meio do salão. Jesonias sentou-se para fumar. Aluísio, Orlando e Pedro bambaleavam perto do palco. Exaustas, Alessandra e Margareth puxaram cadeiras e arriaram.  Joice e Wellington requebravam-se junto a uma parede. Girão arrastou uma garota para fora do salão.  Cida, Eleide e Cynthia saracoteavam o tempo todo. Ocelo, Raul e outros rapazes acocoraram-se ao pé de uma parede. Carlos e Margareth agitavam-se próximo do palco. Orlando escorregou e caiu. Eurico, Otávio, Noé e algumas jovens rebolavam o corpo no centro do salão. Um rapaz passou a mão na bunda de Cátia, que sorriu. Raul, Dutra e duas moças bamboleavam nas proximidades do palco. Ocelo, Raul e outros rapazes acocoraram-se ao pé de uma parede. Girão, Ocelo e duas mocinhas meneavam-se em volta de uma mesa. Otávio chutou uma latinha. Toinha estremecia a um canto. Aluísio dirigiu-se à piscina. Noé estirou-se no chão. Pelos cantos das paredes amontoavam-se latinhas de cerveja.

Súbito Zuza apareceu, bêbado, a gritar. Subiu ao palco, tomou o microfone ao cantor. Os músicos tocavam os instrumentos. O rapaz se pôs a bradar: canalha, carnalha, canaval, canavalha, carnavalha, carnavalma, carvalha, canavialha, canavialma, bando de canalhas, macacos, cambada de farsantes. Algaravia, encontrões, mãos em nádegas e seios, palavrões, ingresia. Os foliões passaram a gritar, xingar, jogar latinhas na direção do palco. A orquestra parou de tocar.          

Quando as luzes se apagaram, todos se puseram a gritar, apupar, vaiar. E corriam para lá e para cá, derrubando mesas e cadeiras. Caíam rapazes e moças. Pisoteavam-se uns aos outros. Esbarravam uns nos outros. A voz de Zuza já havia sumido. Choravam, gemiam. Diziam-se obscenidades e barbaridades. Chiados, zumbidos, risos, choros, ais aqui ih ti bis si ri siri cá rica ricão cão canal carnaval carnal carnão não naco cu ui psiu cuspe pé ré bé pereba pá pai vá vai ai ah dá deu dó pó só sol dose doce oi doze dez um uns nuns nunca cá cala cama maca casa faca fá fé eh zé fez fiz fila figa gás jaz já olá chá chato jaó oh jó joá lá lama má mé meu eia beijo beijinho anjinho arminho minho minha minhoca mó moça mona nave naval nova nó nós nus nu uf ufa puxa nuca cano mano manopla plano palma pau sal sul tu vós voz vó vozinha alminha minha mim fim fino finos fins finis.

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* Extraído de Carnavalha (2007), romance de Nilto Maciel

 

 

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Miro – Carnival of Harlequin

 

Samba quis

 

por CARLOS PESSOA ROSA

– 

  

Se aprecio Carnaval? Já curti, hoje prefiro pegar a valise, guardar uns poucos pertences de uso diário e desaparecer na estrada.

Foi-se a época que lança-perfume era um frasco transparente e inocente – estranha essa lembrança de infância, mostrassem um frasco semelhante, hoje, o que sentiria seria deslumbramento. Não me lembro de ter usado o momento para me esvaziar da tristeza ou me embebedar de alegria. Não! Estivesse triste, não perderia tempo com danças de salão ou desfile de escola, curtiria o momento, sempre fui assim, não fujo do que sinto; e a alegria apenas acrescenta à festa.

Álcool, éter, cocaína, ecstasy ou maconha não me resolvem quando triste nem me acrescentam quando alegre. Ou sou, ou não! Não estranharia de me descobrir na quarta-feira de cinzas dançando sozinho, sem uso de bombas ou contaminações de prazeres alheios. Caso a euforia também me pertença, compartilho, ao contrário, não me veste. Não coloco máscara nem deixo que me tapem os olhos como fazem com os animais, não me pergunto com que samba – ou mulher – eu vou, o escolhido para mim tem sempre a ver com algo muito pessoal.

Não esperem que pactue com quem carrega a culpa judaica e cristã, que acreditam que só podemos ser felizes se todos o são. Utopia infeliz… Caso a tristeza me toque, divido a dor, mas por justiça, não por sentimentos menores. E não importa se falo como cidadão comum ou poeta – como se poeta fosse algo diferente ou especial –, não canto para espantar males, estes se resolvem encarando-os.

E se alguém aí encontrar o lança-perfume em frasco transparente, fundo barroco, ligeiramente cor-de-rosa, por favor, guardem um para mim, que curto o deslumbramento, aquele vestígio-orgástico instantâneo que nos atinge em raros momentos, mas já vou apontando, terão de esperar o fim do Carnaval, até lá vai ser difícil me encontrarem, atualmente, no Carnaval, sou mais sambaquis…

 

SAMBAQUIS

Escrituras e outros fazeres

http://sambaquis.blogspot.com/

 

Uma VaLiSe à Carmen Miranda

Posted in 2009, Art, arte, Carmen Miranda, Centenário, Espetáculo, literatura, literature, poesia, semiótica on 18 fevereiro, 2009 by Marco Aqueiva

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porCarmen Silvia Presotto

Aqui,

Lapa

língua matreira

cadência

e gingado

na Batucada da Vida

que samba em meio a tantos Alô…Alô? 

 

Lá,

balagandãs, turbantes e saias

Camisa Listada

samba e marchinhas entre choros

para dizer, simplesmeste, Mamãe eu quero

 

Lá e cá: canto y dança 

 

Grave Voz

que por 100 anos

efeito mãos recortadas

sombras e  silêncio

recorta o Brasil

a muitos tabuleiros cantantis do Norte ao Sul…

carmen1004 

por Marco Aqueiva

  

Carmen leva o poeta à ciranda

batucada que seus males espanta

 

Ambos vão-se rindo sem saciedade

no abre-alas que reinventa o carnaval

 

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Imagens – Museu Virtual Carmen Miranda: http://carmen.miranda.nom.br/ 

 

 

Três VaLiSeS à InFâNciA iii

Posted in Art, arte, artes plásticas, literatura, literature, Nicolau Saião, poesia, semiótica, Valises on 15 fevereiro, 2009 by Marco Aqueiva

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Nicolau Saião – Estórias da Branca de Neve

 

               OUTONO

       

por NICOLAU SAIÃO

 

Em certos dias

não há quase nada que nos console.

Talvez só uma lembrança

de uma rua ou de uma casa

daquelas especiais

que havia quando éramos adolescentes

e enquanto tomávamos uma bebida

no café onde já nos deixavam estar

seguros da nossa importância

de pequenos pássaros aventureiros

olhávamos pensando

que quem lá morava

devia ter sem dúvida uma vida cheia de sonho.

 

Em certos dias

o grande mistério fica mudo

e o frio nem cheira a alfazema e rosmaninho

e só conseguimos falar a nosso respeito

anichados pelos recantos.

 

É bom haver requinte nas pequenas coisas

meter a mão no bolso

e achar uns tostões perdidos

saber que um gato é não mais que um pretexto

para dormirmos a sono solto

Mas a primeira coisa que avistamos

nesses dias sem agasalho

é muitas vezes só a voz dos meses

o choro dos dias santificados

 

Ou o cheiro dos frutos comidos há anos

e que agora   frementes   se afastam de nós

enquanto a nossa sombra   sem fazer barulho

se coloca de mansinho  lentamente  devagarinho

 

bem junto da porta   p’ra poder ir-se embora.

 

    ———————————

    in “A mala de viagens

     da primeira parte de “A mala dos anos

 

Três VaLiSeS à InFâNciA ii

Posted in Blasnavski, Infância, literatura, literature, poesia, semiótica, Valises on 14 fevereiro, 2009 by Marco Aqueiva

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Blasnavski

 

DE CASEBRES

por VERA LÚCIA DE OLIVEIRA

 

de casebres

era feita a infância

de paredes brancas

de quintais inchados de pássaros

 

e uma dor lenta

nalgum lugar

que nem mãe nem pai

sabiam de noite ninar

 

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in Lagartixa – Revista de Poesia – 2003

Três VaLiSeS à InFâNciA i

Posted in conto, Infância, literatura, literature, Mario Campello, semiótica, Valises on 14 fevereiro, 2009 by Marco Aqueiva

campello-allegorie-ii-450Mario Campello

CAIXA DE MEMÓRIAS:  OS TACOS

por HENRIETTE EFFENBERGER

        

         O chão da sala de minha casa era recoberto por tacos de madeira pequenos, escuros  e cuidadosamente encerados. Talvez, pelos muitos anos de uso ou, quem sabe,  porque tenham sido mal colocados, alguns deles se soltaram e eu, menina, imaginava que debaixo do piso de cimento estaria enterrado um tesouro.

 Mas o cimento era duro e impossível de ser perfurado, apesar de todos meus esforços. E eu me utilizava  de pedaços de pau, pedra ou qualquer outro objeto pontiagudo que me caísse às mãos! Para mim continuava o mistério: e se  não fosse um tesouro e sim uma passagem secreta para o reino mágico de fadas e duendes minúsculos?

         Às vezes, acontecia de alguma formiga se refugiar sob o taco solto e  o fato aguçava minha imaginação e fortalecia minhas conjecturas de criança, imaginando  que poderia  montar o inseto como se fosse um cavalo e descobrir através das frestas e rachaduras do cimento os segredos tão bem guardados e as fadas que me realizariam as vontades. Chegava a me angustiar  ante a possibilidade de me ser permitida a expressão de apenas um desejo e me atormentava a  dúvida entre pedir a boneca “Amiguinha” ou uma  bicicleta (na qual nunca aprendi a andar).

         Mas eu tinha outros desejos  bem mais fáceis de serem atendidos: não precisar comer toda a comida que me punham no prato, livrar-me das botas pesadas que corrigiriam meus pés chatos” ou ter cabelos compridos que nunca precisassem ser desembaraçados…

         Fantasiava também que  a fada me daria o poder de fazer com que determinadas pessoas desaparecessem para sempre e eu já via  indo pelos ares a vizinha gorda de sorriso asqueroso, o homem da carrocinha que recolhia  cachorros e o dono do açougue com seu avental sujo de sangue…

         Jamais consegui localizar o tesouro secreto. As fadas e os duendes também nunca me apareceram. Nem mesmo, quando eu já não tinha nenhuma dúvida sobre qual seria meu único e definitivo desejo : ter meu pai, de novo, em casa.

 

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Do LIVRO  LINHAS TORTAS  – 2008

 

Três VaLiSeS como ponto de ParTiDa

Posted in Art, arte, artes plásticas, Crítica, Ensaio, semiótica, Valises on 11 fevereiro, 2009 by Marco Aqueiva

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Uma valise à partida I

por Herman Melville

 

Sempre que sinto na boca uma amargura crescente, sempre que há em minha alma um novembro úmido e chuvoso, sempre que dou comigo parando involuntariamente diante de empresas funerárias ou formando fila em qualquer enterro e, especialmente, sempre que a minha hipocondria me domina a tal ponto que necessito apelar para um forte princípio de moral a fim de não sair deliberadamente à rua e atirar ao chão, sistematicamente, os chapéus das pessoas que passam… então, calculo que é tempo de fazer-me ao mar, e o mais depressa possível. O mar é meu substituto para pistola e a bala.

 

***  **  ***

 

Uma valise à partida II

por Marco Aqueiva

 

Há um desenho conhecidíssimo de Mário de Sá-Carneiro, de autoria do também órfico José de Almada Negreiros, que se notabiliza talvez por desvelar mais a imagem e a condição de poeta deste dileto confrade de Fernando Pessoa do que os inúmeros retratos que dele se fizeram em vida. Cabeça exageradamente pendida para trás, assume a figura representada ar perdido e contemplativo – o ar perdido e contemplativo de uns olhos vazios, fugidios, talvez em fuga da realidade, alçando-se da sensação ocasional e exterior, estimulada pelo meio circunstante, a correr no azul à busca da beleza.  Uma partida depois da outra Sá-Carneiro atualizou até certo ponto o nobre Xavier de Maistre.

 

***  **  ***

 

Uma valise à partida III

por Flávio Viegas Amoreira

 

Um filme de ação que inclui todos elementos de incerteza e desespero contemporâneos: assim é o último ´´Batman´´. Parece incrível que indústria do cinema exponha de modo tão surreal as mazelas dum mundo que sucumbe ao consumismo e à auto-destruição entorpecido por tentativas irracionais de redenção.

A corrupção entranhada nos interesses de oligopólios, a economia desapegada de qualquer consideração humanística, o convívio antropofágico e ultracompetitivo nas metrópoles e o conformismo das massa alienadas são barril de pólvora ao pior dos horizontes: o niilismo, o momento em que a humanidade dará de ombros ao futuro e dirá ´´ mais nada a fazer…´´ Vendo Heath Ledger no papel do Coringa reporto a outros clássicos do bizarro ou patético: Charles Laughton no ´´Corcunda de Notre-Dame´´, Glória Swanson´Crepúsculo dos Deuses´´), Betty Davis (´´Baby Jane´´), Jack Nicholson (´´Iluminado´´) ou Anthony Hopkins (´´Silêncio dos Inocentes´´); Ledger  é magistral interprete do ´´Anticristo´´ de Nietzsche ou do ´´Homem Revoltado´´ de Camus. Profético momento em que o homem com rosto marcado de dor incinera pilhas de dinheiro roubado: Batman é super-herói fragilizado diante da onipresença de interesses mesquinhos e da ausência de utopias; só  o Coringa é capaz de colocar a nu a farsa das instituições, a impotência da Lei e as grandes corporações tomando lugar do Estado. A ambígua inteiração entre Bem e Mal e o fracasso dum projeto coletivo para o planeta são palco certo para Coringas aguardando o circo pegar fogo. Uma frase lapidar de Ledger, o palhaço das sombras: ´´A chave do caos é o medo.´´ Com o fim da guerra fria, convivemos não mais com uma hecatombe nuclear, mas vários estados paralelos, bombas sujas, conflitos pelo que resta de recursos naturais e o estilhaçamento do terror: a fobia é onipresente sem acordos bilaterais ou força de dissuasão ‘a anarquia. Quem negocia com quem? Qual última instância para tanta irracionalidade maquiada de ordem? As novas crenças servem ao bem-estar do indivíduo e sua prosperidade financeira: em cada esquina um bezerro de ouro é exaltado em nome da moral e da concorrência : as patologias agoram falam em Deus como drogas anti-desespero. O capitalismo é um fascismo em conta-gotas: o homem é livre só para querer! Não mais basta ser, nem mesmo ter, mas querer incessante. Quando todos ´desejarem´ querer, viveremos um cenário de ´´O Reino do Amanhã´´, livro premonitório de J.G. Ballard: ´´Os subúrbios sonham com a violência´´, diz esse mestre da ficção que antevê totalitarismo para conter a desordem numa sociedade sem perspectivas de compra ‘as suas inutilezasHeath Ledger ganhará o Oscar póstumo como ícone duma juventude sem rebeldia: vejo nos que chegam só desmotivação e desassistência. Ballard luta contra um câncer legando um documento sobre um mundo perigoso e transtornado.

Nessa passagem de ano as comemorações em Paris não tiveram luz e fogos de sempre: os afortunados temiam distúrbios das periferias. Vendo Heath Ledger e o sorriso deformado volto ‘a Albert Camus e o que sobrará para essa nossa ´´Gotham City´´: ´´revolta absoluta, insubmissão total, sabotagem como princípio, humor e culto do absurdo´´.  O caos só será vencido sem a cínica gargalhada do medo: Heath Ledger merece estatueta dourada do paraíso. Os visionários não passam do Sinai.

Cultura pop ou erudita me dizem o mesmo: o ser humano parece programado para sua auto-destruição.

Publicado primeiramente em http://revistapausa.blogspot.com/

 

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Arte: Marco Aqueiva