Jocasta por dentro da VaLiSe

imperishable-life

Jocasta Traída

por Pedro Du Bois

 

Estou ao seu lado na descoberta da liberdade:

ensejo e vergonha de ser prisioneiro. Alçado à mira

disparo conhecimentos: confiança necessária ao embate.

Encontro na rua minha visita. A casa em traços ilusórios.

 

Jocasta me visita em lar despovoado.  Melhor assim,

diz em segredo. A justiça entranha o termo. Abdico

verdades e me dedico com satisfação e voragem.

Jocasta no sofá: repasso o burlesco da tragédia

e a convenço do pergaminho da pele ao desgaste.

 

Arvoro milagres, distraio ensaios na paisagem:

o dia encerra no cantar do galo. Sossegam

em sair de casa e pegar o ônibus ao trabalho.

 

Passo entre grades e me dedico ao ensejo

de ver galos transitarem seus territórios.

 

Jocasta olha a desgraça estampada. Estampilha.

Estampa. O vestido rasgado sob a barra: costureiro

com linhas e agulhas refaria ao barro o crime.

Obreiro dos horários e a tesoura em minha mão

em serviços menos nobres. Profícuos verbos.

Errei pronomes em resquícios de enormidades.

 

Ao prumo ergo em paredes minha história. A trajetória

vivenciada do operário. A lerdeza providencial da vida.

A escuridão conceitual do labirinto. A tentativa

de me ver na liberação de tempos significados.

 

Receio nada fazer para ajudar Jocasta. Seu trauma treme

conceitos: a perda no apodrecer das relações acidentais.

Desorientada, nega sua sina em movimentos circulares.

 

Jocasta reafirma o pacto que a leva à morte. O amor

esvaído em carnes. A ignorância desconsidera laços

familiares. A paixão desencontra equilíbrios.

A morte involuntária. Inglória passagem.

 

No início, inocentes desprazeres. A sobrevivência

em dias insuportáveis. Na caverna desenho

acidentes. A caça. A raça. A mitologia concretada

aos descendentes. O entendimento não permite

a violência entre desiguais. Satisfeito, durmo.

 

_+_+_+_+_+_+_+_+_+_

Imagem: Mariú Súarez, Imperishable life

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Uma resposta to “Jocasta por dentro da VaLiSe”

  1. Pedro querido amigo!!!

    Que bela desconstrução de um mito, para chegar ao sempre hoje.

    “A caça. A raça. A mitologia concretada

    aos descendentes.”

    Fala da sobrevivência, dos retalhos de existência que o tempo tenta isolar, insistente, mas que na Poesia feito a vida um vento desCega, descontrói para Cosntruir tudo outra vez…

    Que boa leitura, que poema-reflexão.
    Parabéns!!!

    Abraços carinhosos
    Carmen Silvia Presotto
    http://www.vidraguas.com.br

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