VaLiSeS meta-PoéTicAs Xvi

nestor

 

METÁFORAS DE DENTRO

UMA PESQUISA DE SABER QUE TUDO REINA DEVAGAR

NO OCIDENTE  OU ORIENTE  DE CADA POETA

 

 

 

Penso quando escrevo que a metáfora mete fora todos os medos. O sensível vem. Reinvindicar uma estrutura que quero contar, ou cantar. Depois a correção. Depois os maneios da razão vem alicerçar o poema.

 

Ele liberta-se como um cão com fome. Somos atores, mais ou menos. Somos todos leitores de nós mesmos… Pássaros que dialogam com bocas que falam. Um ouvido na multidão escuta. A intolerável solidão do grau- zero da escrita.

 

É natural para mim o versejamento. O transbordamento do uso da palavra nem atende a precisão de um vocábulo. Absurdo, comento, a  meu ver, que as pessoas levem para casa livros. E os livros levem para o espaço as cobertas, urnas mortuárias de outros. Estes outros os poetas que fizeram palavras mais belas (como nos aponta Drummond) e iludindo chegam sem corpos ao zênite…

 

Tive a nítida confiança quando estudei Baudelaire e sua pluripenetração entre os sentidos. O olho que ouve, a pele que mira. O ouvido gosta de provar, a boca permanece assim presa à liberdade de esperar a hora de tocar. Não acordeões, mas a pele de uma criança, de um cipreste, de uma lembrança.

 

Me desempenha ainda um papel interessante o poeta Carlos Pessoa Rosa, ao me avistar e bisbilhotar meus poemas, quando ele me disse que precisava de uma visão global, de uma atitude de construtor. Não do engenheiro de João Cabral- que deveria ser mais arquiteto que o empilhador de tijolos. Uma atuação que devia desaguar no oceano da precisão das palavras. Fi – lo. Porque deveria e era oportuno. A concepção da obra como construção amoldada pelo pouco de loucura que tínhamos em mente e que agora se transfigura em arte.

 

A arte de poetar refere-se a uma louca escapada pelos tendões do mundo que não cansa de ser cruel. De ser visceral. Quem me acompanha na lida de presenciar o louco órfico homem que repete trinta vezes que  “a mosca não é elefante, mas mato – a, e é interessante….”. Imaginaram se poesia e loucura fossem antípodas. Só a conta bancária sussurrada pelo bancário faria a música necessária para os custos da chuva…

 

Rilke e seus anjos- gostava disso, até que matei um com uma pedrada na auréola. Depois desisti, porque me falavam que eles, anjos, eram a o espírito das pedras. Eles que tanto me pescaram, desigual, que me penetraram nos pensamentos  e me fizeram ver coisas cujas asas não cansavam de mostrar.

 

 

Estou disposto em rever a estrutura das palavras naquilo que liberta de enxurrada de procustos. Amoldando a visão do mundo na forma suscetível de ser contramão.

 

As imagens- não preciso falar muito da minha satisfação em tê – las na algibeira. Peco se minto que não são verdadeiras. Mais que as verdades. O dedo do pintor, desenhista consegue vislumbrá – las do chão, onde nascem. Germinação de prosódias e legumes, lentos em todo o caso? Como com gosto: frutas frescas.

 

Manuel de Barros e as coisas que são tão ínfimas que se miram de microscópios translúcidos. É verdade que se atiram pérolas aos porcos. Não se conta que comemos os porcos, depois. Em salaminhos de pequenos poetas que sabem o que resolvem. Senão nascerão outra vez poetas, e outra vez poetas, e outr…

 

 

 

_+_+_+_+_+_+_+_+_+

Imagem e texto Nestor Lampros

 

 

 

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8 Respostas to “VaLiSeS meta-PoéTicAs Xvi”

  1. Querido Nestor, querido Poeta!

    Ler este texto nos coloca no conTexto maior do fazer poético. Não há como não mergulhar em cada respiração derramada no papel e feito pássaros não querer seguir o verso que em ti nos faz conVersar…
    Seja na música da chuva, seja no olho que ouve, seja na pele que mira, com esta leitura chegamos na Arte de Poetar, de poemar…
    Parabéns também pela Imagem!

    Um abraço carinhoso e gracias!

    Carmen Silvia Presotto
    http://www.vidraguas.com.br

  2. Quando dois poetas malucos ou malucos poetas encontram-se ao acaso de suas obras, há desovas da estranheza, do abismo, das fístulas, dos pertuitos e das fendas.
    Vai mais uma está no meu blog:
    Continuo a escrever minhas loucuras, estou às voltas com um sósia, a insânia me encanta pela possibilidade de um olhar estrangeiro, muitos já fizeram isso, mas a escritura está em eterna mutação e a pós-modernidade levou o hospício para as ruas, não há mais um quadrado azul como diz Cançado quando internada, hospício sem portas e janelas, a céu aberto, passamentos com Deleuze, Derridá, Guattari, Blanchot, Bispo do Rosário, Lourdes Cançado… Poetizar é isso, um grande congresso sem pauta.

  3. Carlos Pessoa Rosa, em tempo, será que não estaria na Hora de leres ou, mais apropriado, pelo que já lês em tuas citações: reler James Joyce?

    Um abraço,
    Carmen Silvia Presotto

    http://www.vidraguas.com.br

  4. Caríssimo Carlos:

    Sinto claramente o que diz e compartilho:

    “Quando dois poetas malucos ou malucos poetas encontram-se ao acaso de suas obras, há desovas da estranheza, do abismo, das fístulas, dos pertuitos e das fendas.”

    Canais passagens corredores, sim portas ao tropeço dos caminhos.

    O mundo é estado de ressaca, indiferença. Abandono sem arrependimento por tudo que é humano. Algumas palavras condensam encontros como as que nos interligam em um convívio ainda que precário (da Valise ao Meio tom), mas no direito oportuno a concebê-lo vida presença.

    Vencer os corredores portas e portões que nos isolam é não apenas luta literária, mas sobretudo solidária pela sobrevivência.

    Sigamos à frente, meu irmão, que a palavra se diz poesia e rebelião.

    ão ão ão ão uivo pouco é só dizer Não

    Sim por um grande abraço,

    Marco.

  5. Querida Carmen:

    Joyce para expressar, algumas letras a desenhar, pintar no limite do pensar, poetas e pintores não apenas fazendo arte. No convívio estreitamos caminhos, compartilhamos valises e chegamos à vidráguas 🙂

    Um grande abraço,
    Marco.

  6. Carmem:

    Joyce é para leitura inconstante, tenho obras dele em casa, as traduzidas todas, leio sempre, mas gostaria de conhecer os textos da filha dele, ela sua professora particular, ele queria entendê-la na doença, ouviu do psicanalista: o problema é que você sofre para escrever desse modo, sua filha, não! Jung

  7. Um abraço Carlos, um abraço Aqueiva!

    Gracias por fazerem diferença.
    E pelo sim e pelo não, para mim, ter respostas é a troca positiva de qualquer desejo caminhante para seguir viagem…

    Carmen Silvia Presotto
    http://www.vidraguas.com.br

  8. !A loucura não é privilégio, é a segunda mãe. Os dois sabiam disso e bebiam devagar. Entre pontes e viadutos que passavam, um arrotou. Outro percebendo disse que Deus era bom. Tomaram o bar todo e foram pescar uma bota e um pneu. Eles sabiam que a obrigação era dos presentes que viam na tv tudo e nada sabiam…”
    Me deu vontade de me lembrar esses encontros que fazem da vida um clímax exageradamente lumini. Mesmo falando à distãncia e tendo a Carme, na sua palavra muito alegremente luminosas, encntraram a alegria de passarem o sonho intenso. E as noites em que Marco costurava nas entretelas, nas entrelinhas, do Valise… E o Carlos que nasceu com o coração, direção, na mão do vento-seta e opinião.
    Carlos, Marco, Carmen- devo muito a vocês!!

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