VaLiSeS meta-PoéTicAs Xviii

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Poética

 

         Para Trina Quiñones

 

 

por Antonio Miranda

 

 

Um menino me disse

– mas estava enganado –

gostar de poesia porque

ele lia tudo rapidinho.

 

Ledo engano: quanto menor

o poema, mais denso

requer pausas, releituras

cruzar os pensamentos.

 

Ler no espaço das palavras

além das formas/ideias

não ler as palavras

mas sua tessitura interna.

 

A poesia é mais de quem lê

do que de quem escreve

– o poema circunscreve

um universo qualquer.

 

Todo poema é hermético

requer um certo desvendar

porque o poeta-ventríloquo

fala pela boca de outrem.

 

Palavras-coisas, lapidais.

Palavras-pessoas, além

de si mesmas – outras

– palavras homologais

 

mesmo as circunstanciais

cifradas no eu-mesmo

da poesia do circunlóquio

que se liberta e ganha

 

espaço.

 

 

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2 Respostas to “VaLiSeS meta-PoéTicAs Xviii”

  1. É bem assim… muito bom mesmo, esse texto em formato de poema, auto-descritivo. Abraço, procês!

  2. Poesia é Espaço a quem lê e a quem escreve, ética e estética, tempo em forma de esferas pontuais.

    Que boa leitura, Poetas!!!

    Abraços,
    Carmen Silvia Presotto

    http://www.vidraguas.com.br

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