Arquivo para junho, 2009

AFOrisMOs dA VaLiSe ii

Posted in Aforismos, Crítica Literária, literatura, literature, Metalinguagem, Poética, poema, poesia, Poetry on 9 junho, 2009 by Marco Aqueiva

_2008_Valise_Aforismos

 

por Jean Cristtus Portela

 

Não se deve ler um poema tendo como primeiro horizonte a representação da realidade imediata, como se ele fosse o comentário das coisas que existem, um apêndice à existência material do mundo (M. Rifatterre). O poema é único, fechado em si, ainda que nele habite a força primordial de todos os poemas já escritos (O. Paz).

 

publicado em http://jeanportela.blogspot.com/

VaLiSeS meta-PoéTicAs XxviiI

Posted in literatura, Literatura Brasileira, literature, Metalinguagem, Poética, poema, poesia, Poetry on 9 junho, 2009 by Marco Aqueiva

__VALISE_metapoéticas

Perguntas

 

por IZACYL GUIMARÃES FERREIRA

 

 

Tantas largas solidões

tanto aflito amanhecer,

sobre as horas, que me pedem?

 

Que me querem tantos dias

idos ou sonhados, rios

como flâmulas em fuga

devolvida, irresoluta?

 

Tanto verde copioso,

tanta esmeralda suada

pelos ramos, que me entrega

ou acende, se não crescem

mãos em mim para colhê-la?

 

Que tempo modula aqui

sua afluência marinha

entre galopes quebrados,

lisas praias estendidas?

 

Quem vela um mundo iminente

sem resolvê-lo em palavra?

Un sombrero en la VaLiSe

Posted in Art, arte, artes plásticas, fotografia, literatura, Literatura Portuguesa, literature, Mayte Bayón, Nicolau Saião, poema, poesia, Poetry, semiótica on 7 junho, 2009 by Marco Aqueiva

tn

 

Imagens e poema por NICOLAU SAIÃO

                     (4 flashes de Mayte Bayón)

 

 

Chapéu

 

 

Serve para quase tudo: para honrar, desonrar

os planetas, as putas, os homens.

 

4

Como uma alma disforme, já foi visto

esmagado sob o cu de uma duquesa

sentada num canapé, distante

e distraída. Como a luz, também pode

ser uma figura de retórica.

Levou tiros, rolou

no pó dos pátios, entrou

brutal nas sinagogas; e é sempre um elemento

combinado, composto

de círculos e recordações. Às vezes

tira-se o chapéu se a carteira não presta.

Nunca se concluiu

se verdadeiramente foge às responsabilidades: contudo

é animal capaz para o deserto

de baixo ou de cima

livre na velha terra dos dicionários

ou dos cactos. Raramente é tão-só uma ilusão

ou miragem.

 

tn2

Se nos cai da cabeça

por mera distracção

ou golpe de vento

há sempre alguém que o pise ou o apanhe

o chapéu é que já não é o mesmo

porque entretanto aprendeu muito

sobre como se comportar em sociedade

ou na rua.

                                   

É muito raro ficar

na cabeça dos mortos

ao contrário da camisa

que é de uso obrigatório. Rola sempre

para o lado da aurora

aos arrancos ou com grande doçura

como uma estrela

pendurada

 

num cabide.                                        

 

 

in “OS OBJECTOS INQUIETANTES”

 

3

AFOrisMOs dA VaLiSe i

Posted in Aforismos, Antonio Carlos Secchin, Crítica Literária, literatura, Literatura Brasileira, literature, Metalinguagem, Poética, poema, poesia, Poetry on 6 junho, 2009 by Marco Aqueiva

_2008_Valise_Aforismos

 

por Antonio Carlos Secchin

 

A poesia representa a fulguração da desordem, o mau caminho do bom senso, o sangramento inestancável da linguagem, não prometendo nada além de rituais para deus nenhum.

VaLiSeS meta-PoéTicAs XxviI

Posted in artes plásticas, Domingos da Mota, literatura, Literatura Portuguesa, literature, Metalinguagem, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica on 5 junho, 2009 by Marco Aqueiva

Duchamp_dança

 

Prelúdio

por DOMINGOS DA MOTA

 

 

Ressoam nas colinas do silêncio
as palavras paradas, por dizer:
sustidas, refreadas, frias, tensas,
apetece libertá-las, a saber,
avivar a língua, silabá-las,
atear-lhes a voz, pô-las a arder,
despertar-lhes os sentidos – e afagá-las
comprazidas num corpo de mulher.

Apetece acolher, pegar em duas
ou três das palavras soltas, nuas
e com elas longamente conversar;
e manter a mais rouca, mais bravia
– prelúdio matinal da rebeldia –
sobre as dunas do tempo a galopar.

*_*_*_*_*_   @ _ @   _*_*_*_*_*

Collage: Marco Aqueiva sob placas pratos e gramática Duchamp

VaLiSeS meta-PoéTicAs XxvI

Posted in Crítica, literatura, Literatura Brasileira, literature, Metalinguagem, Poética, poema, poesia, Poetry on 3 junho, 2009 by Marco Aqueiva

sol valise__

 

poema

por LAU SIQUEIRA

o poema é
a nudez que me veste
na mesma derme que
rasga as algemas e os
vetores do nome que sou
quando apenas respiro
fraudulento de minha espécie
pensando sentindo sentindo
pensando

(………)

queria cinco
pares de unhas afiadas para escrever
meu poema pelas paredes
como uma grafitagem de beleza
escondida nos becos

(………)

penso arrancar as telhas para ver
melhor a lua

(………)

arrancar as telhas já vale o poema

(………)

penso que poema algum é tudo

(………)

penso com minha alma de veludo

 

 

.

de Texto Sentido, 2007

 

.