Arquivo para julho, 2009

VaLiSeS meta-PoéTicAs XxxvI

Posted in Art, artes plásticas, literatura, Literatura Brasileira, literature, Metalinguagem, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica, Surrealismo on 26 julho, 2009 by Marco Aqueiva

frida kahlo

 

 

por  BEATRIZ  BAJO

 

Quando eu nasci, vim sem quadril

como usar um fêmur que não coube na bacia?

ossatura descarrilada, toda soltura

quase tilintando na curvatura da inteireza que me sobra

sem cartilagem, tirando a coberta

horte la mento sacrifício aparelho

encalhada fixa presa melhoramento

embrulho de escancaramento de movimento

luxação congênita, desencaixe maior

extremidade inferior apta à locomoção

outras maneiras de andar outras veredas

centrífuga trilha a da abstração

assim que me criei fortalecendo o pandeiro

re-quebrando em rebeldia que resiste

na tela que não espera o convite

loquacidade ácida para quadros não concebidos

outros rostos, rastros moldurados nus

que não encaixam nas penas de feições destras

não cabem nas portas de cínicas lógicas internas

dialógicas ilógicas auto-rias ser brincante

sujeito – sujo – jeito

silencioso sentido entre os vãos da queda lenta

sacudindo “issos” dentro de um precipício com o qual se flerta

investigação aos calabouços de escritura

alquimia de palavras em escuridões que se clarificam

entre o sacolejar do desmoronamento

enredado a um destino fabulado sem resposta
caí..estamos nele (então)

conto de mesmo nome em distintas datas de eternos hojes

en(fim) de mais um começo no quase que é nunca

longe é um lugar que existe e permaneceu em mim

nesse obscuro samba-saudade, verbo que conjugo pelos minutos adentro

não sei qual meio…conheço o que des/cubro quando no papel se aclara

ritual particular de quem comunga com quentura sanguínea ainda não sentida

en.saio entre os vitrais enigmáticos dessa vida atrás e através

pluma no peito do verso, febre nas ancas das tintas acesas que vem e vão

para fazer dançar as letras amolecidas pelo desejo gozado de significar

 

 

+(+(+(+(+   ***   +)+)+)+)+

Imagem: Frida Kahlo

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AFOrisMOs dA VaLiSe iiI

Posted in literatura, Literatura Brasileira, literature, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica, Youtube on 18 julho, 2009 by Marco Aqueiva

_2008_Valise_Aforismos

 

“Sacudindo a poeira da estagnação, que se dane a danação dos tempos contraditórios, nossa insistência é pela certeza que há sempre um céu de farturas quando não há negação.”

Zhô Bertolini e Jurema Barreto

Assista ao video de Os Cigarristas http://www.youtube.com/watch?v=WoPi8P4DozU

VERde esVOAçante VAlise

Posted in literatura, Literatura Brasileira, literature, poema, poesia, Poetry, Projeto valise 2009 on 18 julho, 2009 by Marco Aqueiva

coisasecuriosidades_mosca

 

MOSCA TONTA: uma valise esvoaçante      

 

por TÂNIA DU BOIS

 

 

Por escolha, Pedro Du Bois há muito tempo esvoaça para a sua poesia a imagem da vida que o cerca, com registro literário formado pelos tipos e situações vigentes; desenvolve uma arte que documenta os gestos e o distanciamento das pessoas, como mostra em seu poema Mosca Tonta:

 

“Quem algum dia disse 

que a luz escura não tem mais brilho

não lembra de alguém que um dia lhe disse:

saia desse caminho, siga por outra estrada,

que segue ao lado, ornada por grandes árvores,

verdes, verdejante e não pálidas.

 

Ele esquece, eu me lembro nitidamente

da hora em que foi dito isso com a maior seriedade;

fosse para ele, para mim, da maior seriedade.

 

Hoje, já tão distante no tempo, no sentido

revejo a cena como nuvem já sem brilho

e penso que tolo fui em não seguir o conselho.

 

Segui pela estrada errada, ontem, hoje, sempre e nada.

Sou como uma mosca tonta, sem saber da tua chegada”.

 

Nem sempre me dou conta da ousadia do poeta ao bater com força as suas asas, atraindo a minha atenção pela beleza dos seus gestos e dos seus poemas.

Documenta seus pensamentos, provocando a musicalidade existente em mim. Em instantes, o poeta conquista a minha vida. Em suas páginas, desperta os sentidos para que eu reflita, respire fundo e reserve um tempo só para mim e a sua poesia. Linhas que me dão acesso a alguns dos meus melhores momentos e trazem para a minha leitura a sensação de ir a algum lugar sem saber o que vou encontrar – é estimulante e rejuvenescedor -, estonteante e esvoaçante como uma “Mosca tonta”.

 

VaLiSeS meta-PoéTicAs XxxV

Posted in Albano Martins, literatura, Literatura Portuguesa, Metalinguagem, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica on 13 julho, 2009 by Marco Aqueiva

Cezanne_Pyramid_of_Skulls

 

Circuito

por ALBANO MARTINS

 

 

Eis a nossa vida de enterro,

a nossa vida de operários fúnebres

conduzindo a morte como um veículo

através de labirintos de gestos

e precipícios de palavras.

VaLiSeS meta-PoéTicAs XxxiV

Posted in Albano Martins, literatura, Literatura Portuguesa, literature, Metalinguagem, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica on 11 julho, 2009 by Marco Aqueiva

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Por ALBANO MARTINS

 

                          _________________

 

 

Não forces a tua inspiração.
Deixa a poesia vir naturalmente
e não obrigues a mentir o coração.

Procura ser espontâneo.
A verdadeira beleza
está no que o homem tem de semelhante
com a natureza.

 

 

_________________

 

 

Secura verde

 

É verde esta secura, como é verde
a raiz duma planta que secou.
Posso ter o corpo aberto
e não mostrar o que sou.

Meus versos podem ser tristes
e eu ter profunda alegria.
Aves noturnas que buscam,
inquietas, a luz do dia.

VaLiSeS meta-PoéTicAs XxxiiI

Posted in Crítica, literatura, Literatura Brasileira, literature, Metalinguagem, Poética, poema, poesia, Poetry on 6 julho, 2009 by Marco Aqueiva

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Ossos do ofício

por MÁRCIO ALMEIDA

 

O poema tem por função dar prazer,

ser a crítica de si mesmo, matar a fada,

o direito de sentir e de não ser,

promover a recepção do nada.

E dito assim – malícia natural,

que de tão óbvio é de si estranhamento,

voz que vê fundo numa forma de coral,

ritmo que pensa e faz festa de momento.

Trazer para fora o que é preciso não dizer,

que é “dito, dado, consumado”, tudo.

Restam o diálogo e a memória do escrever,

a escritura que reinventa o seu futuro.

 

 

Os recessos do poeta: uma homenagem a Fernando Pessoa

Posted in Art, arte, artes plásticas, literatura, Literatura Portuguesa, literature, Nicolau Saião, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica on 1 julho, 2009 by Marco Aqueiva

Nicolau_O tradutor_homenagem Pessoa

Arte: Nicolau Saião