a artE dE pEnsaR Em malaS

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por Tânia Du Bois

 

  A arte de pensar em malas está na arte de optar.

            Alguém pode imaginar um verão sem praia? Impossível. O mesmo é pensar em malas, sem viagem. As férias não seriam as mesmas.

            Há muito tempo o objeto mala, e tudo o que ele representa, rende histórias inesgotáveis, em busca de personagens marcantes.

            Quando falo em malas, logo penso em viagem: uma conjunção perfeita. Permite que os pensamentos voem espontaneamente, até a imaginação tomar conta e me fazer sentir a diferença ao ler esses poemas que me provocam sensação de bem estar, ao saber o que os poetas pensam sobre as malas:

            Clauder Arcanjo:

            “– Mala, malinha, maleta!… Eu sabia que tu serias minha, mala, malinha, maleta.

            E ela passava a mão no couro da mala, acariciando-a, como se feliz pela conquista.

            Era um sonho que, enfim virara realidade.

            Muitas curvas se deram, mas agora esta seria sua, como sempre desejara.

            – Mala, malinha, maleta!… Eu sabia que tu serias minha, mala, malinha, maleta”

            As malas têm valores diferentes. Posso descobrir os benefícios na escolha, para garantir o pique ao colocar o pé na estrada; que seja moderna e resistente, fácil de limpar.

            Francisco Alvim:

            “Está de malas prontas?

            Aproveite bastante. Leia jornais; não ouça rádio de jeito nenhum.

            Tudo de bom.

            Não volte nunca mais.”

            Parece coisa de turista? Bem, pode ser…

            Não deixo que as malas tomem conta da minha viagem. Uma só mala é o suficiente para o visual. Mas se quiser, ouso: curto o máximo da viagem.

            Pedro Du Bois:

            “… ao regressar de corpo e alma

            trouxe na mala as lágrimas

            de ter estado longe

            e tão perto de perder

            a vida em pensamentos.”

            Há quem diga: sou uma mala sem alça. As pessoas gostam de brincar sobre as suas muitas conquistas, mas nenhuma se compara ao fato de acreditarem que revelam, ainda, um vínculo emocional com a mala, e se mantém poderosas.

            Alberto Caeiro:

            “… Não era mulher: era uma mala

            Em que ele tinha vindo do céu.

            E queriam que ele, que só nascera da mãe,

            E nunca tivera pai para amar com respeito

            Pregasse a bondade e a justiça!”

            Vale a viagem! Boa oportunidade para comprovar que apreciar os campos verdes é muito mais que o jardim de casa. Que conhecer a cidade com vida cultural, faz-me sentir inspirada. As malas colocam suas energias nesses objetivos.

            Luiz Coronel:

            “Beijo

            a manhã

            num bocejo.

                     Arrumo as malas

            A brisa

            bate em minha vidraça,

            alcançando

            uma petúnia desgarrada.

 

                     Sinto fome,

                     quero morder

                    minhas amadas

                   que se perderam

                  na neblina do inverno.

 

            Volto para casa.

            Pego as malas

            e embarco

            na estação

            primavera.”

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Uma resposta to “a artE dE pEnsaR Em malaS”

  1. Hey, que bela viagem, que boa leitura!!!

    Aqueiva, Tânia, um abraço carinhoso!

    Carmen Silvia Presotto

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