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meiAmpulheta

Posted in literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica, Tempo, Valise 2010 on 20 dezembro, 2009 by Marco Aqueiva

Meiampulheta

por Marco Aqueiva

 

no fio dos segundos

uma dúvida puxa um minuto

no fio dos minutos

um quê de cólera leva uma hora

no fio dos dias

um ano emborcou meio cálice de esperança

no fio dos anos

os sonhos, de objetos em relevo ao sumidouro

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… s …

….. e …..

……. m …….

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………       r       ………

………         e         ………

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………….               o               ………….

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H2Horas – Antologia do Cronópios

Posted in Art, arte, artes plásticas, Cronópios, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literatura latino-americana, literature, Poética, poema, poesia, Poetry, prosa ficcional, semiótica, Tradução on 14 dezembro, 2009 by Marco Aqueiva

Não é exagero dizer que se trata de uma antologia marcante. Mais uma iniciativa do Cronópios fazendo história. Vale a pena conferir no link abaixo.

http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=4315

recontAmoS AS VAliSeS

Posted in Art, arte, Crítica Literária, literatura, Literatura Brasileira, literature, Pedro Du Bois on 11 dezembro, 2009 by Marco Aqueiva

NÚMEROS RECONTADOS

por Tânia Du Bois

            O que carregamos nas valises das nossas vidas? Ao findar o dia não termos esquecido de efetuar os pagamentos. Mas, do sorriso e da bondade que não contamos, será o caso do dia? Recontamos os números? Ou pesamos a valise?

            Ordenamos, classificamos, quantificamos, qualificamos e recordamos os fatos através dos números, que tornamos marcas da vida, como encontramos no livro de Pedro Du Bois, Números Recontados.

            Números são importantes na vida; recontamos nossa trajetória através de calendários. Datas são o questionamento do dia-a-dia. Nascimentos, aniversários e mortes. Quando menos se espera, a palavra dita é número: multiplicação da vida; partilhada com os amigos; o sentido simbólico aprisionado em tantas datas, pois os números ocupam um lugar reservado no tempo: passado, presente e futuro – em bifurcações de tantas outras vidas contabilizadas que nos acompanham.

 

            “É cedo rapaz // undécima hora / composição atrasada / na partida //  vida inquieta / trocando os trilhos / descarrilando a passagem / induzindo novos caminhos // É cedo rapaz / verdadeira hora / de  revelações / e acomodações.”

            Passado tempo, os números ocupam o primeiro lugar nas atividades diárias; a sociedade em mudança transforma tudo em senhas; códigos secretos para abrirmos a nossa valise.

            Passado tempo, nada muda na contagem dos dias, apenas retemos na memória a história como se apresenta no caminho (multiplicação da vida), na espera continuada que faz de você eternidade em que vive esses anos todos.

 

            “Robusto ao nascer / dois anos prodígio / falando palavras, fazendo          contas // quatro alfabetizado / sete, expressando-se em inglês / dez, boa  pontaria / atirando em passarinhos e galinhas / doze penugens no rosto / prenunciando a barba, bigode e pentelhos // dezesseis, emancipado para ser comerciante / não foi nem mesmo ambulante // dezoito, eleitor por obrigação / vinte e um, esvoaçante / na maioridade / não tivesse sido emancipado aos dezesseis // vinte e quatro, travesti / prazeres e   trabalhos / em domicílio, hotéis baratos / vinte e sete, defunto.”

            Vidas viciadas, dependentes dos números.

            Somos o dízimo da sociedade? Recontamos as valises?

            Ou somos incontáveis sonhos de horas perdidas?

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Imagem: http://www.ioffer.com/i/DISINTEGRATION-OF-MEMORY-Dali-Long-Sleeve-Shirt-Mens-XL-100157037

PrOcurA-se AqueLe cegO dA esQuinA

Posted in literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Poética, poema, poesia, Poetry, Valise 2010 on 9 dezembro, 2009 by Marco Aqueiva

                         por Marco Aqueiva

 

Que literatura podemos fazer em 2010?

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Ou que descoberta pode fazer o leitor

se o leitor é escritor e o escritor é leitor?

Ou o leitor cego na esquina não encontra poesia?

Ou a poesia caolha não encontra o leitor?

Ou o leitor não encontra a livraria?

Ou o poeta não entrou na livraria

onde o pé cansado do leitor hesita entrar?

.

Ou quando um assoma o outro diminui ignorado

Ou quando um se afoga may-day

byte a byte no fechar das janelas

o outro teria sumido descolorido

e anônimo entre ambulantes

.

Descolado do ego e olhos no meio da rua

Ambos?

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Não façam caso, não, se não souberem

que literatura podemos fazer ou ignorar em 2010

.

tudo é refulgência e algarAvia,

tudo é opaCidade e silêncio

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e não podem faltar culpas a um

e um pedido de desculpas ao outro

e ambos se aprovam sem reservas

.

pois um é o outro

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Imagem: Max Ernst