Arquivo para fevereiro, 2010

uMa VaLiSe à MeMóRia oRiGiNaL

Posted in Leitura, literatura, Literatura Brasileira, literature, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica, Valise 2010 on 27 fevereiro, 2010 by Marco Aqueiva

As paisagens

quando acondicionadas

em álbuns de fotografia

página a página

não resistem aos escombros

a outros olhares, toques e arrepios

não resistem à melhor cola

a outras valises

e à profundidade da memória

do lugar de origem

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Texto e imagem: Marco Aqueiva  

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a VaLiSe aMaReLa eNcanTaDa

Posted in Art, arte, artes plásticas, crônica, Infância, Leitura, literatura, semiótica on 20 fevereiro, 2010 by Marco Aqueiva

 

A VALISE AMARELA ENCANTADA 

por Tânia Du Bois

 

         Na valise amarela carregavam tudo das crianças, enquanto bebês. Depois, foi transformada em biblioteca ambulante e, por isso, encantada e indispensável na vida de Júlia e Luísa.

         As crianças adoram sonhar. A imaginação infantil se apresenta em diversas situações, sendo uma delas o hábito pela leitura ou o seu acompanhamento (fundamental para o desenvolvimento infantil).

         Júlia (4 anos) e Luísa (2 anos) carregam sempre a valise amarela. Ela é pequena, mas repleta de grandes obras, como os clássicos da literatura infantil, em que Luísa, ao ouvir a leitura d’O Soldadinho de Chumbo, cria novo rosto, muda o personagem, e o chama de A Bailarina de Chumbo. Ou as princesas que encantam a vida de bailarina de Júlia. Os contos do Fundo do Baú, Fábulas de Ouro, as histórias de Monteiro Lobato.

         Júlia e Luísa são donas de imaginação que vai às alturas, incorporam os super-heróis a cada momento. Quando uma história lhes é contada, há trocas emocionais e, nessas ocasiões, é que verificamos a boa influência da valise amarela em suas vidas.

         Na valise encantada encontram-se, entre tantos escritores, esses que são verdadeiros mágicos por transformarem tudo em motivo para a criação, como:

Ruth Rocha – faz uma arte entrelaçada; Ana Maria Machado – Eu era um dragão; Maria Clara Machado – palavras novas em estilo simples e claro, com divertido ritmo, Lila e Sibila na Praia; Cecília Meireles – Isto ou Aquilo; Tatiana Belinki – Limeriques, histórias contadas em 5 linhas, ritmadas e bem maluquinhas. 

         Ainda, Ziraldo, “A letra N e o nascimento da Noite” – “A noite é o casamento / da letra N e de Oito…” Carlos Nejar, “As águas que conversam” – “Andar em roda / gigante / no tenro alpendre / das ondas…” José Saramago, “A maior flor do mundo” – “Era uma flor… E como este menino era especial de história, achou que tinha que salvar a flor…” Chico Buarque, “Chapeuzinho Amarelo” – “Tinha medo de tudo, … Ouvia conto de fada e estremecia. Depois, acabou o medo e ele ficou só com o lobo…” Gabriel Garcia Márquez, “A luz é como a água” – “Totó me perguntou como é que a luz acendia, só com a gente apertando um botão… A luz é como a água – respondi – A gente abre a torneira e sai…” 

         A valise amarela é poderosa porque contém esses e tantos outros consagrados da literatura infantil. É a sinfonia que contagia Ju e Lu a participarem dessa viagem sem fim que é ter a vida como um palco.

         Elas curtem, brincam e conversam com os livros e seus personagens. Fazem da sua casa um picadeiro, onde cada uma apresenta uma atração diferente. Arregalam os olhos e deixam o coração, a emoção, outra vez, rodopiar no circo da imaginação, como passarinho a bater as asas em uma orquestra.

         Além de se divertirem, a fantasia faz com que elas compreendam e aceitem o mundo em que habitam e a lidar com as “bruxas”.

         Luísa e Júlia não estão apenas carregando a valise amarela, estão, através do lúdico, aprendendo a viver.

         Saramago pergunta: “E se as histórias para as crianças passassem a ser leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?”

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Imagem: Marco Aqueiva

 

VaLiSe daS cLaRaS iDaDeS

Posted in Art, artes plásticas, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, poema, poesia, Poetry, Valise 2010 on 13 fevereiro, 2010 by Marco Aqueiva

por Carmen Presotto

 

Branca Página

 

pauta livre

 

silêncio

          que arquiteta o sonho

 

pálida

calço meus pés em teus sussurros

 

viajante

com teus lábios danço

tombo páginas

               

e me reescrevo valises em claras idades…

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Imagem: Magritte

Da VaLiSe do Talking Heads

Posted in Art, arte, conto, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, mídia, música, semiótica, Talking Heads, Talking Heads Psicokiller, Valise 2010 on 9 fevereiro, 2010 by Marco Aqueiva

Por Marco Aqueiva

Uma mala sem alças não quero. Disse-lhe. Ele exigiu. Quando falar comigo olha-me nos olhos. Ele repetiu com indiferença fingida. Sem ter o ar de ver-me insistiu. Quando falar comigo, olha-me nos olhos. Não, não posso correr-me daqui numa mala sem alças. É a última vez que te digo, olha-me nos olhos. Sinto correr no corpo todo aquele ímpeto a partir de mala e… Sem que terminasse a frase, e olhando-a nos olhos. Tu bem sabias. Tu bem sabias com quem está lidando. Não adianta mais, Miss Dólar. A pele é passageira. Meu corpo bonitinho corre pro ralo. Sua vagabunda, olha nos meus olhos quando fala. Viu então nitidamente aproximar-se uma bandeja de prata com ódio, a fumaça a sair das ventas e a faca a cortar-lhe definitivamente os calcanhares.

Matador Psicótico

Da VaLiSe de Adam Ant

Posted in Art, arte, conto, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, narrativa, semiótica, Valise 2010 on 9 fevereiro, 2010 by Marco Aqueiva

 

Por Carlos Pessoa Rosa

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Odeio o sujeito. Mas seu rosto é fotografia na parede da memória. Ao chegar, eu já me encontrava imobilizada. Nua. Meu corpo suado debaixo de um cone de luz. Já não apertava mais as coxas para esconder o sexo. Mataram qualquer expressão de vergonha. As pernas abertas como as da prostituta que aguarda a próxima moeda; como o cofre da infância. Um metro e sessenta; não mais. Não me esqueço dos passos do coturno, e da valise que depositava sobre a mesa velha e engordurada. Como esquecer o nariz rosáceo e as enormes sobrancelhas negras… As mãos pequenas a abrir a valise sadicamente, com a lentidão das lesmas. De lá retirava o chicote, o alicate, agulhas de diversos tamanhos, velas, fósforos, gel condutor e chumaços de algodão que enfiava em minha boca para que não gritasse. Quando todos os recursos não me levavam a alcaguetar algum companheiro, abria a braguilha, retirava o pau duro – excitava-se com a tortura – e o levava até minha boca. Naquele dia… Ah! Naquele dia, olhava a valise, havia lá um dente e uma unha que me arrancara um pouco antes… Colecionava nossos pedaços. Decidida, mordi com tanta raiva o membro, que guardei comigo sua glande. Hoje vivo em uma cadeira de rodas, fruto do espancamento que se seguiu. O que senti? Ouça The Ants-Whip in my valise. Há um chicote na minha valise oh yeah/Who taught you to torture? Quem te ensinou a tortura?/ Quem te ensinou?Who taught you to torture?

 

The Ants-Whip in my valise

H2Horas – o filme

Posted in Art, arte, cinema, conto, Cronópios, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Metalinguagem, poema, poesia, Poetry, semiótica, Valise 2010 on 6 fevereiro, 2010 by Marco Aqueiva

 

Um autor faz uso literário da palavra. Outro também. E aquele outro? Ele também.

Um caminha. Outro faz o mesmo. E aquele outro? Também ele caminha.

Um atravessa ruas, pontes, jornais e revistas, páginas de poemas e romances, jornais. E os outros autores? Também.

São tantos os caminhos, passagens, paisagens, hábitos, hálitos, fios de alta tensão, separando-nos, isolando-nos que a arte talvez seja o único instrumento que possa mesmo nos apontar uma possibilidade de outra coisa, reintegrando no homem a humanidade do convívio,  antes que o poeta, condenado à experiência solitária, não vá além da experiência solitária da palavra.

O propósito deste arrazoado curto é dizer que, no âmbito da web artística, o grande e último lançamento de 2009 é também o primeiro grande lançamento de 2010. E não consigo vislumbrar nada melhor que venha pela frente que não saia do Cronópios!

Só por isso vale assistir ao video linkado abaixo.

http://www.cronopios.com.br/h2horas/