Arquivo para março, 2010

uMa VaLiSe eNfiaDa Na LaMa

Posted in Chico Science, crônica, da lama ao caos, groove, literatura, Literatura 2010, literature, mangue beat, Mangue boys, música, Nação Zumbi, semiótica on 28 março, 2010 by Marco Aqueiva

Uma antena enfiada na lama

Num dia de sol nascendo, sendo levado sonolento ao trabalho, acordei em Sampa com palavras saltando da parada de ônibus. Periferia é sangue! A porção de imobilidade que havia em mim sacudiu-se com a mesma sensação de inércia do dia anterior. Ô Josué, eu nunca ví tamanha desgraça quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça. Podia desligar o MP4 e continuar séssil e flatulento. Posso sair daqui para me organizar. Posso sair daqui para desorganizar. Viva Zapata! Viva Sandino! Viva Zumbi! Antônio Conselheiro! Todos os panteras negras. Salve Chico Science, que carregava a palavra certa pra doutor reclamar.

Continuem a fazer-se mangueboys e manguegirls e talvez um dia reencontremos Chico Science espesso e fecundo revolvendo a lama dos urubus de Recife. De Brasília.

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imagem e texto: marco aqueiva

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Viagem sem fim

Posted in Art, arte, artes plásticas, crônica, literatura, semiótica on 28 março, 2010 by Marco Aqueiva

por Tânia Du Bois

 

“Embalado pela música / imerso na leitura / sabe o destino…” (Pedro Du Bois).

          Viajar é fazer arte. E fazer arte é reconhecer o livro. Todos temos um artista dentro de nós, o talento para nos adaptar às mudanças.

          Para viajar basta usar artifícios como a imaginação, criatividade e bom gosto, para pensarmos na concepção da palavra, no verdadeiro sonho a ser concretizado aos movimentos do mundo – traços, formas, cores e palavras que trazem a sensação do prazer pela descoberta, mobilizando as nossas forças.

          Uma viagem… mil palavras, a viagem sem fim que aumenta as chances para o desenvolvimento do objetivo maior no futuro e, finalmente, o lazer.

          Quem não gostaria de ter mais tempo para ler um livro, onde pudesse se divertir ou relaxar?

          O mundo moderno traz a correria do dia a dia, a falta de tempo. O ritmo de vida alucinante tem se tornado hábito para a maioria das pessoas. Falta tempo! Quantas vezes usamos essa desculpa?

          Sejamos realistas em relação ao que podemos ou não fazer com o tempo que temos disponível. Então, nada melhor do que algo que nos traga benefícios e soluções inusitadas para renovar as nossas vidas – a leitura.

          Ela é a viagem sem fim, aliada à qualidade de vida e ao bem estar; ela busca o diferencial ao escolher e organizar o tempo livre, e traz sempre o melhor segmento.

          “… sobre o livro aberto / o olhar do homem / se espanta / e à folha torna / na continuação da leitura // as multiplicações expandem / fronteiras…” (Pedro Du Bois).          Quem lê viaja pelo mundo, para onde a imaginação quiser, é a viagem sem fim, porque quando viajamos construímos uma obra de arte na qual somos capazes de nela nos colocar.

          “… quem aproveita o instante / da leitura, momento / em que completa a vida…” (Pedro Du Bois). É o aproveitamento de novas fontes para a organização das ideias, levando em conta as necessidades e o aprimoramento dos próximos passos.

          “Refletir a vida, o livro reflete também sobre o ato criador e sobre si mesmo. E sobre as palavras sem as quais não existiria.” (Cristina Monteiro).          O livro, a leitura, cria um jogo entre o intelecto e a imaginação; a razão e a inteligência; mobilizando-nos à capacidade vivencial. Ela enriquece a vida e desfruta a alma do escritor, podendo, assim, transformar “Neste Embrulho de Nós”, o momento de ler em uma viagem sem fim.

          “Nascemos, crescemos, sofremos, vivemos e morremos. Tudo sem brilho. / Vem a literatura, no entanto, e coloca, por sobre nós, um brilho inaudito. / E a vida, então, se faz beleza literária, salvando-nos a todos de um roteiro chinfrim.” (Clauder Arcanjo).

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imagem: Marco Aqueiva

PoEsia, atÉ à vOLta

Posted in Art, arte, artes plásticas, Dia internacional da Poesia, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Metalinguagem, Pink Floyd, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica, The narrow way, Valise 2010, Valises on 21 março, 2010 by Marco Aqueiva

VaLiSe a toDoS oS DiaS de PoeSia

Posted in Dia nacional da Poesia, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Metalinguagem, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica, Valise 2010, Valises on 14 março, 2010 by Marco Aqueiva

 

DeNtrO Da PeQueNa VaLiSe

Posted in Art, arte, artes plásticas, Dia nacional da Poesia, literatura, Literatura Brasileira, literature, Poética, poema, poesia, Poetry, Projeto valise 2009, semiótica, Valise 2010, Valises on 14 março, 2010 by Marco Aqueiva

                 por Nestor Lampros

  

Avultam abusos.

Entre o que come e o que escorre;

Entre o que mija e o que sobrepisa;

Entre o que entra e o que afaga;

Entre o que penetra e o que interpreta.

 

Irando as ilhas antes de dormir a faca coagula

O cetro que inaugura entornos assimétricos…

 

Depois mais abandonos.

 

Súbitos poetas na net descrevem o que roda,

Sem parar na noite caótica

Que brilha ao

Brilhar.

Convulsos negros

Dentro das gavetas, facas ao

Mesmo tempo dependentes do ócio.

 

Surras vespertinas no avulso dos ossos.

Entre as esferas biliares um olho que mira o sono

Dos deuses mortos pelo papel,

Invento sem trégua nem carretéis  de nenhuma linha ocorrem

Antes de nascer.

 

Os vultos carregados de neblinas

Correm, aflitos, as pandemias

Loucas de uma agulha

Caída no sangue desinfetado.

 

E na hora esgrimista, antes de saírem do tédio,

Surge em volutas sonoras

Um rodopio.

 

Os pássaros destros empilham seus mortos.

 

Eu reprimido pelo peso

Fantástico do éter

Corrijo

A noção do ópio.

 

Entre a mira  e o som dos dedos

Abro minha valise.

 

Dentro trago um pequeno deus

 

Envolto em celofane e pronto para ser devorado

Pelos meus trinta e três cabelos  mudos.

 

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Imagem: Marco Aqueiva

VaLiSeS – a ToDa – eSpeRaM-Te

Posted in Art, arte, artes plásticas, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica, Valise 2010 on 6 março, 2010 by Marco Aqueiva

Leia pelo arremesso

Escreva qual possesso

Rasgue o ventre e liberte

 

Valises a toda letra

aquelas que te esperam

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Texto e imagem: Marco Aqueiva

VaLiSeS a ToDa LeTra

Posted in Art, arte, artes plásticas, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica, Valise 2010 on 6 março, 2010 by Marco Aqueiva

Ir Embora

por Pedro Du Bois

 

do que não entendo

arrumar a bagagem

para ir embora

rompendo a relação

 

dobrar as peças

ensacar os calçados

separar os objetos

apartar livros e discos

 

guardar tudo

simetricamente

em malas

caixas

e algumas valises menores

 

apenas usar o tempo

na esperança da reconciliação.

 

(O Livro Fechado)

 

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Imagem: Marco Aqueiva