Arquivo para junho, 2010

hAdeS nA fAixA dO gOzO

Posted in crônica, Garcia Lorca, Leonard Cohen, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Poets in New York, semiótica, Valise 2010 on 5 junho, 2010 by Marco Aqueiva

por Carlos Pessoa Rosa

Entre o Paraíso e a Consolação, a faixa do gozo, do adensamento capitalista, terra dos fundamentalistas ‘Wall Street’. Gaza também é aqui, tal Haiti. Ai de ti, periferia! Mucambos, favelas… Muralhas de prédios separam nos quatro quadrantes. E o mar… Navios com seus containeres de ouro. Antes, depósitos de gente. Há sempre uma ponte, um acima e um abaixo. A tragédia revisitada em Goya e Steerage. A miséria é o espetáculo, o reality show urbano. As correntes invisíveis das senzalas são cifras definidas nos porões da economia. Hades é o mundo inferior. Sem moeda, os miseráveis são ignorados por Aqueronte. O cão ladra nas madrugadas, entre o Paraíso e a Consolação. Não há fuga possível. Sombras… A ponte de Stieglitz é o paraíso capitalista. As armações de guerra vestem os  Cérberos pós-modernos, tubarões à espera de carne fresca. Os eleitos são apenas os seres da vez. Haverá sempre o herói a levantar os braços e a comer os projéteis manipulados com a mais moderna tecnologia. Mas a maioria é Copa do Mundo!

 

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Imagem: Alfred Stieglitz, “The Steerage”
Video: Leonard Cohen, “Take this waltz” – Poets in New York de Federico Garcia Lorca

uM cOnTra TOdOs, MenOs Um

Posted in conto, crônica, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Terrorismo de Estado, Valise 2010 on 2 junho, 2010 by Marco Aqueiva

Saídos enfim da Liberdade, entre Paraíso e Consolação, entramos eu, Creúsa e tropa, absolutos e definitivos, em Gaza trazendo a cura.  Desde então adotamos por força da paz a estratégia de monitorar, com os cem olhos de argos, todos os acessos ao território porque tínhamos armas e o remédio. Entrada e saída rigorosamente controlados. Havia a casa dos recém-chegados. Depois os refugiados eram encaminhados para casas inclusivas. Havia a das crianças de pré-escola. A das crianças irrealizáveis. A das gestantes crepusculares. A dos idosos incompletos. Quando nos informaram da chegada dos barcos, tínhamos improvisado não aqui, mas lá, mais além da paciência mediana, um porto improvisado. Fomos ao encontro deles que reagiram. Sim, sabemos que com estilingues e bolas de vidro. Sim, também sabemos que encontramos caixas e caixas de espelhos e água mineral. Somos os eleitos. Determinamos o centro, o meio e a extensão do mundo. Dominus vobiscum, que cabe sim a nós escolher como dar visibilidade ao terror.

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Texto: Marco Aqueiva

Imagem: Francisco Goya

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                                                                  chave sígnica:

                                                                  uM = Israel

                                                                  Um = Estados Unidos