Num Café

MIGUEL WESTERBERG - 2008 - Conversas no Café a Brasileira Chiado Lisboa

Por Marco Aqueiva

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Será mesmo um café? Relê. Acesso restrito a escritores e poetas. Luz convidativa. Entrada à direita livre. Ele lá fora num boteco sujo entre dejetos e dívidas. À esquerda põe os grandes olhos no bolinho de carne. Minhocas brotando do tecido orgânico que come. Esfrega os olhos e o verso do bolso quando a grama acaba. A alma do negócio é sempre uma receita contra o tédio. Mas será mesmo aquilo um café? Juntam-se agora aos dejetos, dívidas e dúvidas aquela que passa olho na perna. Será mesmo ela entrando no café que as memórias sentimentais me deixou rever? Ele lá na malhação dos olhos e da boca pesados de chorume. Minhocas, repete para si mesmo. Ele lá sem colírio ou listerine. No tráfego intenso atrás das bem fornidas pernas que entram, sem olhar para trás, à direita.

Imagem: MIGUEL WESTERBERG – 2008 – Conversas no Café a Brasileira Chiado Lisboa

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