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VaLiSeS meta-PoéTicAs Xviii

Posted in Antonio Miranda, literatura, Literatura Brasileira, literature, Metalinguagem, Poética, poema, poesia, Poetry on 29 abril, 2009 by Marco Aqueiva

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Poética

 

         Para Trina Quiñones

 

 

por Antonio Miranda

 

 

Um menino me disse

– mas estava enganado –

gostar de poesia porque

ele lia tudo rapidinho.

 

Ledo engano: quanto menor

o poema, mais denso

requer pausas, releituras

cruzar os pensamentos.

 

Ler no espaço das palavras

além das formas/ideias

não ler as palavras

mas sua tessitura interna.

 

A poesia é mais de quem lê

do que de quem escreve

– o poema circunscreve

um universo qualquer.

 

Todo poema é hermético

requer um certo desvendar

porque o poeta-ventríloquo

fala pela boca de outrem.

 

Palavras-coisas, lapidais.

Palavras-pessoas, além

de si mesmas – outras

– palavras homologais

 

mesmo as circunstanciais

cifradas no eu-mesmo

da poesia do circunlóquio

que se liberta e ganha

 

espaço.