Archive for the artes plásticas Category

anTeNe-Se na VaLiSe inConSpuRcáVeL (parte iV)

Posted in Art, arte, Arte engajada, artes plásticas, Artes Visuais, Garcia Lorca, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Metalinguagem, Musica Espanhola, Paco de Lucia, Poética, poema, poesia, Poesia espanhola, Poetry, Roberto Piva, semiótica, Valise 2010, Valises on 6 julho, 2010 by Marco Aqueiva

 

CHÃO E DESASSOSSEGO

 

                             a Roberto Piva

                             (tendo Garcia Lorca ao fundo) 

 

Todos os dias

 

monitor teclado

 

janela portão

 

 

o mesmo cercado

 

olhos barrentos

 

sempre algum lá

 

 

no meio da canela

 

desconsola

 

mas não

 

não nos mata.

 

 

Ó Órficos

 

não tendes gumes

 

estendes quinas contra

 

os olhos, e a vida

 

que só ela bastaria.

 

             Marco Aqueiva

                 Julho/2010

anTeNe-Se na VaLiSe inConSpuRcáVeL (parte iIi)

Posted in Art, arte, Arte engajada, artes plásticas, Artes Visuais, Carlos Santana, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, poema, poesia, Poetry, semiótica, Valise 2010, Valises, Youtube on 6 julho, 2010 by Marco Aqueiva

Em Wall Street Paulista um tornado

um tiro certeiro onde Rocinha Heliópolis Cidade Náutica

E no quarto minguante da galáxia apenas mais um

Pum

 

Imagens e texto: Marco Aqueiva

 

 

anTeNe-Se na VaLiSe inConSpuRcáVeL (parte Ii)

Posted in Art, arte, Arte engajada, artes plásticas, Carlos Pessoa Rosa, conto, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Musica cubana, narrativa, prosa ficcional, semiótica, Silvio Rodriguez, Valise 2010, Valises on 29 junho, 2010 by Marco Aqueiva

PITANGAS IMPLODEM MÊNSTRUO 

por Carlos Pessoa Rosa

                  _______________

 

lances de escada avançam sobre a língua de fogo. o rei debulha grãos de idéias sobre o tapete vermelho enquanto a mulher rosna melancolias e roça ostras no fundo de saco. há uma chuva melancólica de fim de tarde que abraça o vazio contendo em seu corpo a morte. que túmulo receberá o corpo sorumbático de um rei sem coroa enquanto a mulher gralha a melancolia transgênica em fim de tarde?

(úmida tarde onde repousa um véu crepuscular e o homem é espremido como pasta de dente. de seu interior sai o branco das baratas.)

ao longe estradas descansam mundanas. no céu desponta a Lua diante dos dedos do cego de Diderot. ah, delírios dos impertinentes! da ferradura de Baco, da papoula incandescente da loucura, do pó branco que avassala a ordem das palavras. é da mulher o mênstruo incontido do gozo; do homem a umidade das uretras virgens. há uma escada que sobe sobre as chamas a caminho do inferno, um rei uma rainha um homem uma mulher nos óvulos da noite que nenhuma criança ou poeta alcançam nesta orgia de palavras frases imagens soltas.

(mão de obra é a orgia incandescente da escravidão quando as mãos de miseráveis ardem no calor das injustiças.)

vasculha basculha entorse dor de dente mão no bolso bueiro. plúmbea chove
urubus e rosas. pitangas implodem mênstruo, o clitóris adocicado da boceta dos deuses. o imaginário frestas raios porvir. há uma ave migrante de solo pátrio estrangeiro e a cruz no chamamento. plúmbea chuva ostras e rastros. pássaros gorjeiam gozos. umidade no campo ora. o sino cala a igreja onde Deus imola e o poeta masturba palavras. há palavras soltas no pasto, loucura de Eros, cobra em posição de bote, no aguardo. não demora carrapatos festejam o sangue quente de quem venceu tânatos e as heras continuam a agarrar-se nas paredes.

(natal ao miserável é consumir a falta. dois cães aguardando restos seria mais aceitável, mas são seres humanos os dois de cócoras roçando o fundo de latas na calçada.)

cúmulus em tarde ensoluada, o vento descansa no prado, tudo é silêncio nos galhos e copas das árvores. em algum lugar homens guerreiam (por aqui nem uma bala perdida). cercas blocos argamassa vagas não arredam pé do descanso. meu corpo como churrasco nos vãos dos mistérios, noite se achegando fria à caça de sonhos e pesadelos, arremedos do que na vida claustrofóbico. o diabo arranca água e duas luas de um coco. ao longe o apito de um trem, de uma estrada de ferro inexistente…

(e os viajantes na impossibilidade de um destino.)

 

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Imagem: Marco Aqueiva

Das VaLiSeS Dos CéSaReS VenCiDoS

Posted in Art, arte, artes plásticas, crônica, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica, Valise 2010, Valises with tags , , , on 24 junho, 2010 by Marco Aqueiva

Em quanta estrada os Césares

perderam-se após vitórias.

O futebol embaralha

risos lógica e história.

 

Balão sobe e desce

Cai Paris cai Roma

Vai pra casa França

Itália agora a segue

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texto e imagem: Aqueiva

pEquEnaS SãO aS VaLiSeS

Posted in Art, arte, artes plásticas, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, poema, poesia, Poetry, semiótica, Valise 2010, Valises on 17 junho, 2010 by Marco Aqueiva

AnTeNe-Se na VaLiSe inConSpuRcáVeL (parte i)

Posted in Art, arte, artes plásticas, Chico Science, Copa 2010_alternativa, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, mangue beat, Mangue boys, Metalinguagem, Nação Zumbi, Poética, poema, Poetry, semiótica, Valise 2010, Valises on 15 junho, 2010 by Marco Aqueiva

pelas manhãs

cafés e analgésicos

 

à tarde

antitérmicos e coca

com limão e gelo

 

à noite

classe executiva

recarregar a valise

com chips whisky mais drogas

da net

 

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texto e imagem: Marco Aqueiva 

Da VaLiSe NaDa Se LeVa ?

Posted in Art, arte, Arte engajada, artes plásticas, Crítica, História, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Metalinguagem, semiótica, Valise 2010, Valises on 26 maio, 2010 by Marco Aqueiva

 

Meus amigos, minhas amigas:

Completaram-se neste maio dois anos de estrada carregando valises.

É pouco, é mesmo quase nada…

É curioso que vivamos nestes nossos tempos experiências – como esta de carregar valises – amesquinhando-as numa perspectiva de resultados e de fruição imediata. Uma multidão de episódios animados seja pelo cálculo seja pelo prazer. Embora a lógica dos resultados mova o mundo, não mobiliza todo o mundo. Ademais, no reino mecânico das funções físico-químicas e dos lucros voláteis há justificativas para o fruir imediato e absoluto desligado de uma consciência temporal mais alongada… Mas esta é agora uma outra discussão, lenga-lenga inoportuna!

Comemoremos olhando para as valises. Quem vive no passado é sarcófago e aqueles profissionais, como arqueólogos, que sempre estão ameaçando dar-nos mais uma prova de nossa arrogante mediocridade… Amo vocês incondicionalmente historiadores. Somos nós ficcionistas e historiadores irmãos de hábito e função!

Preciso mesmo comemorar dizendo que de valises podem ascender mundos sonhados e possíveis contra a lógica implacável de lucros e ganhos. Quem leva mesmo a sério estas palavras pode ler-me mais um pouquinho, que já termino, certo? Horácio, o romano, recomendava paciência aos jovens poetas…

Com estas valises pensava, ainda penso – suspenso o olhar às palavras essenciais – oferecer pratos variados. Valises não são iguarias que se comam requentadas. Nem são comestíveis. Tampouco iguarias. Ah o ideal romântico de valises palavras perseguindo a felicidade num tempo em que possamos dar voz e vez ao que é essencial… Não é bonito, portanto, vulgarizarem-se valises em edição a R$ 1,99. PF prato feito é um atalho para o estômago, e valises têm me oferecido a rara oportunidade de preparar textos, provar de finas iguarias e partilhar amizades que não se vendem e compram.

Meus agradecimentos e um abraço grande a vocês todos que estão sempre ao pé do essencial e destas valises,

do amigo Aqueiva.

Viagem sem fim

Posted in Art, arte, artes plásticas, crônica, literatura, semiótica on 28 março, 2010 by Marco Aqueiva

por Tânia Du Bois

 

“Embalado pela música / imerso na leitura / sabe o destino…” (Pedro Du Bois).

          Viajar é fazer arte. E fazer arte é reconhecer o livro. Todos temos um artista dentro de nós, o talento para nos adaptar às mudanças.

          Para viajar basta usar artifícios como a imaginação, criatividade e bom gosto, para pensarmos na concepção da palavra, no verdadeiro sonho a ser concretizado aos movimentos do mundo – traços, formas, cores e palavras que trazem a sensação do prazer pela descoberta, mobilizando as nossas forças.

          Uma viagem… mil palavras, a viagem sem fim que aumenta as chances para o desenvolvimento do objetivo maior no futuro e, finalmente, o lazer.

          Quem não gostaria de ter mais tempo para ler um livro, onde pudesse se divertir ou relaxar?

          O mundo moderno traz a correria do dia a dia, a falta de tempo. O ritmo de vida alucinante tem se tornado hábito para a maioria das pessoas. Falta tempo! Quantas vezes usamos essa desculpa?

          Sejamos realistas em relação ao que podemos ou não fazer com o tempo que temos disponível. Então, nada melhor do que algo que nos traga benefícios e soluções inusitadas para renovar as nossas vidas – a leitura.

          Ela é a viagem sem fim, aliada à qualidade de vida e ao bem estar; ela busca o diferencial ao escolher e organizar o tempo livre, e traz sempre o melhor segmento.

          “… sobre o livro aberto / o olhar do homem / se espanta / e à folha torna / na continuação da leitura // as multiplicações expandem / fronteiras…” (Pedro Du Bois).          Quem lê viaja pelo mundo, para onde a imaginação quiser, é a viagem sem fim, porque quando viajamos construímos uma obra de arte na qual somos capazes de nela nos colocar.

          “… quem aproveita o instante / da leitura, momento / em que completa a vida…” (Pedro Du Bois). É o aproveitamento de novas fontes para a organização das ideias, levando em conta as necessidades e o aprimoramento dos próximos passos.

          “Refletir a vida, o livro reflete também sobre o ato criador e sobre si mesmo. E sobre as palavras sem as quais não existiria.” (Cristina Monteiro).          O livro, a leitura, cria um jogo entre o intelecto e a imaginação; a razão e a inteligência; mobilizando-nos à capacidade vivencial. Ela enriquece a vida e desfruta a alma do escritor, podendo, assim, transformar “Neste Embrulho de Nós”, o momento de ler em uma viagem sem fim.

          “Nascemos, crescemos, sofremos, vivemos e morremos. Tudo sem brilho. / Vem a literatura, no entanto, e coloca, por sobre nós, um brilho inaudito. / E a vida, então, se faz beleza literária, salvando-nos a todos de um roteiro chinfrim.” (Clauder Arcanjo).

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imagem: Marco Aqueiva

PoEsia, atÉ à vOLta

Posted in Art, arte, artes plásticas, Dia internacional da Poesia, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Metalinguagem, Pink Floyd, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica, The narrow way, Valise 2010, Valises on 21 março, 2010 by Marco Aqueiva

DeNtrO Da PeQueNa VaLiSe

Posted in Art, arte, artes plásticas, Dia nacional da Poesia, literatura, Literatura Brasileira, literature, Poética, poema, poesia, Poetry, Projeto valise 2009, semiótica, Valise 2010, Valises on 14 março, 2010 by Marco Aqueiva

                 por Nestor Lampros

  

Avultam abusos.

Entre o que come e o que escorre;

Entre o que mija e o que sobrepisa;

Entre o que entra e o que afaga;

Entre o que penetra e o que interpreta.

 

Irando as ilhas antes de dormir a faca coagula

O cetro que inaugura entornos assimétricos…

 

Depois mais abandonos.

 

Súbitos poetas na net descrevem o que roda,

Sem parar na noite caótica

Que brilha ao

Brilhar.

Convulsos negros

Dentro das gavetas, facas ao

Mesmo tempo dependentes do ócio.

 

Surras vespertinas no avulso dos ossos.

Entre as esferas biliares um olho que mira o sono

Dos deuses mortos pelo papel,

Invento sem trégua nem carretéis  de nenhuma linha ocorrem

Antes de nascer.

 

Os vultos carregados de neblinas

Correm, aflitos, as pandemias

Loucas de uma agulha

Caída no sangue desinfetado.

 

E na hora esgrimista, antes de saírem do tédio,

Surge em volutas sonoras

Um rodopio.

 

Os pássaros destros empilham seus mortos.

 

Eu reprimido pelo peso

Fantástico do éter

Corrijo

A noção do ópio.

 

Entre a mira  e o som dos dedos

Abro minha valise.

 

Dentro trago um pequeno deus

 

Envolto em celofane e pronto para ser devorado

Pelos meus trinta e três cabelos  mudos.

 

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Imagem: Marco Aqueiva