Archive for the cinema Category

H2Horas – o filme

Posted in Art, arte, cinema, conto, Cronópios, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Metalinguagem, poema, poesia, Poetry, semiótica, Valise 2010 on 6 fevereiro, 2010 by Marco Aqueiva

 

Um autor faz uso literário da palavra. Outro também. E aquele outro? Ele também.

Um caminha. Outro faz o mesmo. E aquele outro? Também ele caminha.

Um atravessa ruas, pontes, jornais e revistas, páginas de poemas e romances, jornais. E os outros autores? Também.

São tantos os caminhos, passagens, paisagens, hábitos, hálitos, fios de alta tensão, separando-nos, isolando-nos que a arte talvez seja o único instrumento que possa mesmo nos apontar uma possibilidade de outra coisa, reintegrando no homem a humanidade do convívio,  antes que o poeta, condenado à experiência solitária, não vá além da experiência solitária da palavra.

O propósito deste arrazoado curto é dizer que, no âmbito da web artística, o grande e último lançamento de 2009 é também o primeiro grande lançamento de 2010. E não consigo vislumbrar nada melhor que venha pela frente que não saia do Cronópios!

Só por isso vale assistir ao video linkado abaixo.

http://www.cronopios.com.br/h2horas/

 

ORWELL e sua VaLiSe de iniciAÇÃO à GUERRA

Posted in cinema, george orwell, literatura, literature, poesia on 13 setembro, 2008 by Marco Aqueiva

 

por Pedro DU BOIS

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Trazia na face o dilema de saber o indizível

e de não ser possível conviver com a dor

o cheiro da guerra mais que as feridas abertas

corpos estraçalhados em horríveis prisões

o sentido da vitória traduzido na escavação

fecha a paisagem e a não coragem de dizer

do fim e do começo como civilização

 

o ditador colocado como líder poder

e poderoso assecla: destruída vida

deixada de ser imposta na terra posta

arrasada no que lhe foi passado da história

 

o olhar triste das palavras desnuda a cena

empurra o tema como consciência da espera

e dos humores do tema e do tempo infeliz

em repetições de desgraçadas implicações

 

o fim de tudo iniciado naquele instante fila

em que a razão desarruma a vida e a violência

se impõe ao que escreve: estava escrita a derrota 

e a validade das palavras permanecem em verdades.

Imagem: collage por Marco Aqueiva a partir de fotograma de O Grande Ditador, de Charlie Chaplin, e de charge obtida em  http://atlasshrugs2000.typepad.com/atlas_shrugs/democrats_dhimmicrat/index.html

MACABÉA mal cabe na valise?

Posted in A Hora da Estrela, cinema, clarice lispector, Crítica Literária, literatura, literature, narrativa, poesia, semiótica on 11 setembro, 2008 by Marco Aqueiva

Macabéa que não se acha muita gente

mameluca maluca que mal cabe

fora da própria sombra em vez de dentro

vida desabitada de si mesmo

levada a tapa e a coice do mundo

 

Macabéa, mal se vê nela o que cabe

no espelho em que se vê mal cabe ela

o cachorro quente mal cabe nela

a datilógrafa nortista virgem

a estrela de mil pontas, o amarelo

 

Mal se vê ou se sente o que é ela

mal cabem nossos olhos cegos sobre

ela – um canto sem sombra Macabéa

 

(pronto, passou a estrela de mil pontas)

 

E Macabéa por não ter existido

irradia sobre nós outro destino

outro enredo ou brilho? Repousemos

que Macabéa mal cabe na valise

do leitor seguro de seu futuro

        

        Marco Aqueiva

Macabéa na Valise: collage por Marco Aqueiva a partir de imagens de Marcélia Cartaxo e José Dumont do filme A hora da estrela, dirigido por Suzana Amaral.

Ella

Posted in cinema, literatura, literature, narrativa on 27 agosto, 2008 by Marco Aqueiva

 

por Ana Luiza Penha

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Ella sempre corre e  hoje no fim de tarde numa véspera de feriado desvia-se  do menino que chora, do pedinte que insiste, da mulher à beira de parir, da senhora de passos lentos com cachecol de crochê cinza.

 

Sem tempo ou com muito pouco tempo, corre em cima do salto numa maratona em busca do táxi em que esqueceu a mala.

 

Em dia de despedida tudo acontece, mas poucas coisas dão certo. A passagem    de ida na mão e  a lembrança  do  quarto  de teto preto aonde se sentia numa tumba, quando decidiu radicalizar e  deixar para trás a  penúltima morada. Será que alguém sabe aonde será a última?

 

A mudança começou  com  a escolha  da mala, leve de preferência e imensa  para nela caber tudo que significasse saudades.

 

De  cor vermelha tal qual  um coração que  derrama sangue pelas ruas, com discreto lenço branco, um pedido de paz.

 

Gritou, pulou, acenou, alguns poucos solidários no burburinho fizeram coro  com  a protagonista da agonia urbana.  Não teve jeito, a escolha foi  posta, ou viaja sem ou fica desfiando para todos seu drama.

 

De repente era uma mulher só que  perdera o amor e a mala num único dia. No salão de embarque do  aeroporto a última chamada. Começava então a viagem.

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Collage por Marco Aqueiva