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A VaLiSe do PROFESSOR II

Posted in Art, arte, concurso, narrativa, semiótica on 7 novembro, 2008 by Marco Aqueiva

valise-professor-das-primeiras

Arte: Marco Aqueiva

 

 

Dando continuidade à publicação dos vencedores do concurso “O que há na valise do professor?”, temos o prazer de anunciar os alunos, do Colégio Atibaia, autores dos melhores textos na categoria NARRAÇÃO, segundo avaliação do júri. São eles:

 

– Ana Paula Scoparo – 9° ano

– Rodrigo Grosso Bourganos – 9º ano

 

É assim com imensa satisfação que parabenizamos os vencedores pela expressividade de seus textos, bem como todos os participantes pela disposição e empenho na atividade.

 

Por fim, cabe a nós agradecermos em especial o acolhimento da proposta pelos membros do júri, integrado por  

 

– Carlos Pessoa Rosa

– Carmen Presotto

– Nilza Amaral

– Pedro Du Bois

– Tânia Du Bois

 

que de pronto se dispuseram a pôr seus sobejos talentos a serviço da descoberta de novos talentos.

  

O diário do professor

 

por Ana Paula Scoparo – 9° ano

       _____________________

 

 

Roberto entrou na sala de aula, com a cara amarrada de sempre, largou sua valise sobre a mesa e disse:

– Abram seus livros na página trezentos e dezoito.

         Carolina, que estava dormindo até então, levantou a cabeça inconformada.

– A não… Aula de história!

Roberto ignorou, sabia que seria assim até o fim da aula. E foi. Mal conseguiu fazer a turma copiar o quadro e deu uma explicação longa e cansativa.

         Finalmente o sinal do recreio tocou. Roberto saiu da classe, mas deixou sua valise lá. Carolina estranhou: o professor não largava de sua valise!

         – Olha só gente, a valise do professor!

         – Vamos aproveitar e ver as notas. – disse Marcelo, o aluno mais esperto da sala.

         – Deixa de ser bobo! Nós vamos procurar coisas mais interessantes…

         Gabriela pegou a mala com força e a abriu. Lá no fundo ela encontrou um caderninho preto. Carolina, entusiasmada, arrancou-o da mão de sua amiga e começou a ler:

“Dois de outubro de 2008

Eu não sei o que dizer, os meus alunos não me respeitam e acho que também não me suportam. Se a vida tivesse me dado outra maneira de eu conseguir dinheiro… Mas apesar de tudo eu adoro os meus alunos. Isso não importa mais, eles tiram notas muito baixas e eu acho que vou ser demitido em breve.”

 

         Os alunos abriram suas bocas até onde elas nunca haviam chegado antes. Eles perceberam, finalmente, que a maneira com que tratavam o professor o havia  afetado mais do que o esperado.

         No dia seguinte, haveria prova. Eles elaboraram um plano.

                                              

                                                         ***

 

         Uma semana depois, Roberto entrava na sala de aula sorrindo pela primeira vez. Um sorriso que até doía de olhar para o branco dos dentes.

         – Turma, estou muito satisfeito com o resultado da classe na prova.

         Carolina sorriu também.

         – Que bom, professor! Espero que o senhor saiba que gostamos muito de você, e não queremos que vá embora.

Diante do resultado da prova e da postura do professor, ela viu que valera a pena ter estudado tanto com seus colegas. Deixaram de ir a uma superfesta que um amigo de outra sala organizou, mas o seu professor era mais importante.  Apesar de não terem prestado atenção em todas as aulas, todos aprenderam muito com ele.  Além de coisas como a Segunda Guerra Mundial, aprenderam uma lição que vão levar para o resto de suas vidas.

         Roberto lembrou de seu diário e teve uma visão. Agora ele era o professor mais feliz do mundo.

 

 


Professor – Profissão ou Missão

 

por Rodrigo Grosso Bourganos – 9º ano

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Era o primeiro dia depois das férias do meio do ano em uma escola particular do estado de São Paulo. Os alunos se encontravam e ”colocavam o papo em dia”, pois não se viam desde Junho.

         Todos entraram na sala de aula logo que ouviram o som do sinal, avisando que a primeira aula estava prestes a começar.  Eles sentaram em suas carteiras e tiveram uma surpresa.

         Um tipo baixinho e esquisitinho, portando uma valise surrada e fora de moda, entrou na sala. Usava óculos ”tampa-de-garrafa”, tinha uma peruca na cabeça e um bigodão na cara. Sim, era muito estranho. O homem abriu a boca e disse, sorrindo, com uma voz esganiçada:

         – Bom dia! Sou o novo professor de matemática e meu nome é professor Barbosa.

         A reação de todos já era esperada. Começou a zoação’, todos falavam da sua estatura e da sua peruca, e principalmente da voz esganiçada, que, logo do fundo da sala, Zezinho começou a imitar. A classe continuou caçoando do pobre professor, que,  parado, olhava a todos.

         Permaneceu em silêncio por alguns poucos minutos, e apenas com um olhar, conseguia, pouco a pouco, ganhar o silêncio. Então disse:

         – Pessoal, caçoem de mim à vontade, sei que sou estranho, mas quero que pensem um pouco, antes de caçoarem de mim, que estou aqui para ajudar a todos! Estou aqui para que no dia em que vocês terminarem a escola, consigam passar em um bom vestibular para poderem conquistar um bom emprego! Estou aqui para passar meus conhecimentos para vocês não para torná-los em repetidores de informações, mas sim formadores de idéias! Seres capazes de raciocinar e optar pelas melhores atitudes! Estou aqui para ajudar. Pronto, agora, se quiserem, podem continuar caçoando.

         A classe não esperava ouvir algo assim daquele homem de voz esganiçada. Desde aquele dia, eles mantiveram um ótimo relacionamento com o professor, e conseguiram extrair dele tudo o que ele estava pronto a lhes dar para crescerem como indivíduos melhores.