Archive for the Crítica Literária Category

Da VaLiSe de FeRnanDo PeSSoa

Posted in Art, arte, Crítica, Crítica Literária, Fernando Pessoa, literatura, Literatura Portuguesa, literature, semiótica on 10 abril, 2009 by Marco Aqueiva

_fernando-pessoa

por Natali Mazuchelli Camargo

 

A marca registrada de Fernando Pessoa consiste em sua heteronímia. À medida que vou conhecendo suas obras e seu desdobrar-se em outras personalidades, cada vez mais me encanto com seu universo particular.

Partindo de Fernando Pessoa ele-mesmo, passando pelos poemas do mestre Alberto Caeiro, lendo as odes de Ricardo Reis e encontrando Álvaro de Campos ao fim desta “trilogia heteronímica”, alcançamos uma concepção muito ampla do que é ser um poeta: livre. Sim, um poeta é livre para criar, não somente a partir de suas próprias emoções ou julgamentos, mas principalmente através da imaginação.

Pessoa, ao criar seus heterônimos, faz isso: liberta-se de suas próprias concepções para ir além, explorando todas as possibilidades. Neste que chamo de universo particular, há a criação de mais de setenta heterônimos! Isso é o mais fascinante em Pessoa, ele não pára de surpreender. Em cada heterônimo encontramos um novo autor, como se fosse de fato uma outra pessoa.

O poeta não revolucionou somente a literatura lusitana, mas tornou-se, sem dúvida nenhuma, um autor universal justamente pela sua inovação. Não tentemos buscar explicações psicológicas que expliquem o seu universo, mas intentemos enxergar em cada heterônimo a manifestação de um poeta que ousou criar e reinventar-se em cada autor que concebia.

Sendo assim, de sua valise, o poeta consegue trazer ao leitor obras tão diferentes entre si, mas que são de somente uma alma: a de Fernando Pessoas

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Arte:Marco_Aqueiva                                                                                                                                                                                             

MACABÉA mal cabe na valise?

Posted in A Hora da Estrela, cinema, clarice lispector, Crítica Literária, literatura, literature, narrativa, poesia, semiótica on 11 setembro, 2008 by Marco Aqueiva

Macabéa que não se acha muita gente

mameluca maluca que mal cabe

fora da própria sombra em vez de dentro

vida desabitada de si mesmo

levada a tapa e a coice do mundo

 

Macabéa, mal se vê nela o que cabe

no espelho em que se vê mal cabe ela

o cachorro quente mal cabe nela

a datilógrafa nortista virgem

a estrela de mil pontas, o amarelo

 

Mal se vê ou se sente o que é ela

mal cabem nossos olhos cegos sobre

ela – um canto sem sombra Macabéa

 

(pronto, passou a estrela de mil pontas)

 

E Macabéa por não ter existido

irradia sobre nós outro destino

outro enredo ou brilho? Repousemos

que Macabéa mal cabe na valise

do leitor seguro de seu futuro

        

        Marco Aqueiva

Macabéa na Valise: collage por Marco Aqueiva a partir de imagens de Marcélia Cartaxo e José Dumont do filme A hora da estrela, dirigido por Suzana Amaral.