Archive for the Crítica Category

Na VaLiSe de SaMueL BeCkeTT

Posted in Absurdo, Art, arte, Ato sem palavras, Crítica, Desumanização, literature, Opressão, Samuel Beckett, teatro, The narrow way, Youtube on 15 abril, 2012 by Marco Aqueiva

 Ato sem (muitas) palavras

                                     por Marco Aqueiva

 

Ele vivo. No limite ainda vivo. Sem poder sair. Condenado e vivo. Todo dia ele ainda. Ele ainda vivo. Todo o dia ele menos ele. Todo dia eles sempre. Todo o dia eles que fecham. Todo dia eles fecham. O mesmo. Eu mesmo. Eles dizem que ainda vivo. O espaço, o mesmo tempo parado. O espaço fechado, sem saída. Nesse espaço eu, fora eles. Foram eles que sempre riscaram o limite. Eles dizem que vivo. Eles põem e tiram coisas. Trilos sempre. Trilos sempre se pronunciam. Plantam a mesma sombra diária e lá vêm trilos. Quem me diz que posso? Oferta-se inacessível a água da vida sob trilos. Como posso? Eles sempre riscaram o limite. A ação possível. Eu não arrisquei nada. Ainda vivo? Eles querem me fazer crer. Eles querem me fazer crer que estou vivo. Que estou vivo e o retorno é sempre possível.

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Retornar ao que é perene e distantemente mais próximo de nós (Marco Aqueiva)

Posted in Crítica, Crítica Literária, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, Literatura sem fronteiras, literature, Pedro Maciel on 28 fevereiro, 2012 by Marco Aqueiva

No romance Retornar com os pássaros, de Pedro Maciel, em lugar da esperada ênfase na narrativa, o texto aposta na busca: a escolha, o gesto de liberdade e recusa; o caminho como excentricidade, disseminação e errância de opções e sentidos. Busca que combina informação científica e revelação mítica com expressão poética. É um texto perturbador na medida em que experimenta novos caminhos para a prosa ficcional. É um texto ideológico que parte de conceitos ou posições prévias, fato, a nosso ver, já atestado desde o início do livro, combinando simultaneamente os modos poético e irônico da expressão literária.

Leia mais em: Retornar ao que é perene e distantemente mais próximo de nós (Marco Aqueiva).

LiTeRaTuRa SeM TeRRaS

Posted in Art, arte, Artes Visuais, Crítica, Literatura 2011, Literatura Brasileira, literature, semiótica, Valises on 15 agosto, 2011 by Marco Aqueiva

Imagens da noite: diálogo com muitas vozes

Posted in Art, arte, Chico Science, Crítica, Crítica Literária, Cronópios, Ensaio, Fred Zero Quatro, literatura, Literatura 2011, Literatura Brasileira, literatura latino-americana, Nação Zumbi, Poética, poesia, Poetry, prosa poética, semiótica, Valises on 25 fevereiro, 2011 by Marco Aqueiva

Há poucos dias foi publicado no CRONÓPIOS o primeiro texto de uma série em que dialogo com vozes da atual produção poética brasileira.

Ficarei bastante contente e satisfeito se acompanharem a publicação.

Confiram o início

http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=4909

 

pOrOs pOr sãO pauLO

Posted in Art, arte, artes plásticas, Crítica, Cronópios, Jacek Yerka, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Poética, poema, poesia, Poetry, prosa poética, semiótica, Surrealismo, Valise 2010, Youtube on 7 dezembro, 2010 by Marco Aqueiva

por Marco Aqueiva

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Não se alcança a incompreensão da cidade sem os abismos e o desconcerto de um roteiro de leitura?

Não se chega à poligrafia de São Paulo sem as certezas apoiadas nas estatísticas?

Por que não se compreendem os ressaltos da solidão e as enchentes de janeiro sem a fala dos especialistas?

Nós, loucos e lúcidos por São Paulo, podemos com todo direito cantá-la lírica e cinicamente, épica e dieteticamente, dramática e ridiculamente.

São Paulo em que tardo, ávido pela serragem da imaginação decompondo fatorialmente aqueles números inteiros pesados de logística e razão.

Nem que seja pelos poros da palavra.

Artes tarde do que nunca.

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Confira texto na íntegra no Cronópios

http://www.cronopios.com.br/site/prosa.asp?id=4832

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Imagem: Jacek Yerka

Anníbal Augusto Gama na VaLiSe

Posted in Crítica, Crítica Literária, Cronópios, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literatura latino-americana, literature, Poética, poema, poesia, Poetry on 23 setembro, 2010 by Marco Aqueiva

Quem é Anníbal Augusto Gama?

Wilson Martins: “poeta desconhecido que é também um dos melhores nos quadros históricos da poesia brasileira em qualquer tempo.”

“Annibal Augusto Gama, em primeiro lugar, é um poeta insubstituível, de inspiração muito pessoal, que não lembra nem de longe nenhum outro poeta consagrado, de hoje ou de ontem. Sua poesia é feita da honesta fruição do mundo por alguém que se julga um homem comum, quando, na verdade, é excepcional” (Gilberto de Melo Kujawski)

Para saber mais desse grande poeta e conhecer alguns poemas seus, confira o link abaixo.

 http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=4746

Da VaLiSe NaDa Se LeVa ?

Posted in Art, arte, Arte engajada, artes plásticas, Crítica, História, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Metalinguagem, semiótica, Valise 2010, Valises on 26 maio, 2010 by Marco Aqueiva

 

Meus amigos, minhas amigas:

Completaram-se neste maio dois anos de estrada carregando valises.

É pouco, é mesmo quase nada…

É curioso que vivamos nestes nossos tempos experiências – como esta de carregar valises – amesquinhando-as numa perspectiva de resultados e de fruição imediata. Uma multidão de episódios animados seja pelo cálculo seja pelo prazer. Embora a lógica dos resultados mova o mundo, não mobiliza todo o mundo. Ademais, no reino mecânico das funções físico-químicas e dos lucros voláteis há justificativas para o fruir imediato e absoluto desligado de uma consciência temporal mais alongada… Mas esta é agora uma outra discussão, lenga-lenga inoportuna!

Comemoremos olhando para as valises. Quem vive no passado é sarcófago e aqueles profissionais, como arqueólogos, que sempre estão ameaçando dar-nos mais uma prova de nossa arrogante mediocridade… Amo vocês incondicionalmente historiadores. Somos nós ficcionistas e historiadores irmãos de hábito e função!

Preciso mesmo comemorar dizendo que de valises podem ascender mundos sonhados e possíveis contra a lógica implacável de lucros e ganhos. Quem leva mesmo a sério estas palavras pode ler-me mais um pouquinho, que já termino, certo? Horácio, o romano, recomendava paciência aos jovens poetas…

Com estas valises pensava, ainda penso – suspenso o olhar às palavras essenciais – oferecer pratos variados. Valises não são iguarias que se comam requentadas. Nem são comestíveis. Tampouco iguarias. Ah o ideal romântico de valises palavras perseguindo a felicidade num tempo em que possamos dar voz e vez ao que é essencial… Não é bonito, portanto, vulgarizarem-se valises em edição a R$ 1,99. PF prato feito é um atalho para o estômago, e valises têm me oferecido a rara oportunidade de preparar textos, provar de finas iguarias e partilhar amizades que não se vendem e compram.

Meus agradecimentos e um abraço grande a vocês todos que estão sempre ao pé do essencial e destas valises,

do amigo Aqueiva.