Archive for the crônica Category

GrãO pÚbiS da MedUsa para O GraNde pÚblicO

Posted in crônica, Cronópios, literatura, Literatura 2011, Literatura Brasileira, literature, Metamorfoses, Mito, Poética, semiótica on 22 dezembro, 2011 by Marco Aqueiva

 

Lenda de sólidos paparazzis viciando telespectadores e leitores numa sala de espelhos e reflexos. Ou no respaldo circular dos acessos solitários a web.

Trecho de crônica sobre o poder da mídia publicada no Cronópios. Para mais, segue o link:

http://www.cronopios.com.br/site/prosa.asp?id=5256

PrAjnA nA eScAdA roLAnTe

Posted in crônica, Cronópios, Literatura 2011, Literatura Brasileira, literature, prosa poética on 4 setembro, 2011 by Marco Aqueiva

 

Estar só, exilado, remoto, no imediato lapso desta roda do mundo, na escada rolante. Corpos recolhidos em sua humana condição. Enfiados em uma quietude postiça em meio a arranha-céus remoinhos de pés com fim e ao léu.

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Para ler a íntegra desta crônica em prosa poética, é só acessar

http://www.cronopios.com.br/site/prosa.asp?id=5147

 

 

Das VaLiSeS Dos CéSaReS VenCiDoS

Posted in Art, arte, artes plásticas, crônica, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica, Valise 2010, Valises with tags , , , on 24 junho, 2010 by Marco Aqueiva

Em quanta estrada os Césares

perderam-se após vitórias.

O futebol embaralha

risos lógica e história.

 

Balão sobe e desce

Cai Paris cai Roma

Vai pra casa França

Itália agora a segue

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texto e imagem: Aqueiva

hAdeS nA fAixA dO gOzO

Posted in crônica, Garcia Lorca, Leonard Cohen, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Poets in New York, semiótica, Valise 2010 on 5 junho, 2010 by Marco Aqueiva

por Carlos Pessoa Rosa

Entre o Paraíso e a Consolação, a faixa do gozo, do adensamento capitalista, terra dos fundamentalistas ‘Wall Street’. Gaza também é aqui, tal Haiti. Ai de ti, periferia! Mucambos, favelas… Muralhas de prédios separam nos quatro quadrantes. E o mar… Navios com seus containeres de ouro. Antes, depósitos de gente. Há sempre uma ponte, um acima e um abaixo. A tragédia revisitada em Goya e Steerage. A miséria é o espetáculo, o reality show urbano. As correntes invisíveis das senzalas são cifras definidas nos porões da economia. Hades é o mundo inferior. Sem moeda, os miseráveis são ignorados por Aqueronte. O cão ladra nas madrugadas, entre o Paraíso e a Consolação. Não há fuga possível. Sombras… A ponte de Stieglitz é o paraíso capitalista. As armações de guerra vestem os  Cérberos pós-modernos, tubarões à espera de carne fresca. Os eleitos são apenas os seres da vez. Haverá sempre o herói a levantar os braços e a comer os projéteis manipulados com a mais moderna tecnologia. Mas a maioria é Copa do Mundo!

 

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Imagem: Alfred Stieglitz, “The Steerage”
Video: Leonard Cohen, “Take this waltz” – Poets in New York de Federico Garcia Lorca

uM cOnTra TOdOs, MenOs Um

Posted in conto, crônica, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Terrorismo de Estado, Valise 2010 on 2 junho, 2010 by Marco Aqueiva

Saídos enfim da Liberdade, entre Paraíso e Consolação, entramos eu, Creúsa e tropa, absolutos e definitivos, em Gaza trazendo a cura.  Desde então adotamos por força da paz a estratégia de monitorar, com os cem olhos de argos, todos os acessos ao território porque tínhamos armas e o remédio. Entrada e saída rigorosamente controlados. Havia a casa dos recém-chegados. Depois os refugiados eram encaminhados para casas inclusivas. Havia a das crianças de pré-escola. A das crianças irrealizáveis. A das gestantes crepusculares. A dos idosos incompletos. Quando nos informaram da chegada dos barcos, tínhamos improvisado não aqui, mas lá, mais além da paciência mediana, um porto improvisado. Fomos ao encontro deles que reagiram. Sim, sabemos que com estilingues e bolas de vidro. Sim, também sabemos que encontramos caixas e caixas de espelhos e água mineral. Somos os eleitos. Determinamos o centro, o meio e a extensão do mundo. Dominus vobiscum, que cabe sim a nós escolher como dar visibilidade ao terror.

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Texto: Marco Aqueiva

Imagem: Francisco Goya

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                                                                  chave sígnica:

                                                                  uM = Israel

                                                                  Um = Estados Unidos

uMa VaLiSe eNfiaDa Na LaMa

Posted in Chico Science, crônica, da lama ao caos, groove, literatura, Literatura 2010, literature, mangue beat, Mangue boys, música, Nação Zumbi, semiótica on 28 março, 2010 by Marco Aqueiva

Uma antena enfiada na lama

Num dia de sol nascendo, sendo levado sonolento ao trabalho, acordei em Sampa com palavras saltando da parada de ônibus. Periferia é sangue! A porção de imobilidade que havia em mim sacudiu-se com a mesma sensação de inércia do dia anterior. Ô Josué, eu nunca ví tamanha desgraça quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça. Podia desligar o MP4 e continuar séssil e flatulento. Posso sair daqui para me organizar. Posso sair daqui para desorganizar. Viva Zapata! Viva Sandino! Viva Zumbi! Antônio Conselheiro! Todos os panteras negras. Salve Chico Science, que carregava a palavra certa pra doutor reclamar.

Continuem a fazer-se mangueboys e manguegirls e talvez um dia reencontremos Chico Science espesso e fecundo revolvendo a lama dos urubus de Recife. De Brasília.

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imagem e texto: marco aqueiva

Viagem sem fim

Posted in Art, arte, artes plásticas, crônica, literatura, semiótica on 28 março, 2010 by Marco Aqueiva

por Tânia Du Bois

 

“Embalado pela música / imerso na leitura / sabe o destino…” (Pedro Du Bois).

          Viajar é fazer arte. E fazer arte é reconhecer o livro. Todos temos um artista dentro de nós, o talento para nos adaptar às mudanças.

          Para viajar basta usar artifícios como a imaginação, criatividade e bom gosto, para pensarmos na concepção da palavra, no verdadeiro sonho a ser concretizado aos movimentos do mundo – traços, formas, cores e palavras que trazem a sensação do prazer pela descoberta, mobilizando as nossas forças.

          Uma viagem… mil palavras, a viagem sem fim que aumenta as chances para o desenvolvimento do objetivo maior no futuro e, finalmente, o lazer.

          Quem não gostaria de ter mais tempo para ler um livro, onde pudesse se divertir ou relaxar?

          O mundo moderno traz a correria do dia a dia, a falta de tempo. O ritmo de vida alucinante tem se tornado hábito para a maioria das pessoas. Falta tempo! Quantas vezes usamos essa desculpa?

          Sejamos realistas em relação ao que podemos ou não fazer com o tempo que temos disponível. Então, nada melhor do que algo que nos traga benefícios e soluções inusitadas para renovar as nossas vidas – a leitura.

          Ela é a viagem sem fim, aliada à qualidade de vida e ao bem estar; ela busca o diferencial ao escolher e organizar o tempo livre, e traz sempre o melhor segmento.

          “… sobre o livro aberto / o olhar do homem / se espanta / e à folha torna / na continuação da leitura // as multiplicações expandem / fronteiras…” (Pedro Du Bois).          Quem lê viaja pelo mundo, para onde a imaginação quiser, é a viagem sem fim, porque quando viajamos construímos uma obra de arte na qual somos capazes de nela nos colocar.

          “… quem aproveita o instante / da leitura, momento / em que completa a vida…” (Pedro Du Bois). É o aproveitamento de novas fontes para a organização das ideias, levando em conta as necessidades e o aprimoramento dos próximos passos.

          “Refletir a vida, o livro reflete também sobre o ato criador e sobre si mesmo. E sobre as palavras sem as quais não existiria.” (Cristina Monteiro).          O livro, a leitura, cria um jogo entre o intelecto e a imaginação; a razão e a inteligência; mobilizando-nos à capacidade vivencial. Ela enriquece a vida e desfruta a alma do escritor, podendo, assim, transformar “Neste Embrulho de Nós”, o momento de ler em uma viagem sem fim.

          “Nascemos, crescemos, sofremos, vivemos e morremos. Tudo sem brilho. / Vem a literatura, no entanto, e coloca, por sobre nós, um brilho inaudito. / E a vida, então, se faz beleza literária, salvando-nos a todos de um roteiro chinfrim.” (Clauder Arcanjo).

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imagem: Marco Aqueiva

a VaLiSe aMaReLa eNcanTaDa

Posted in Art, arte, artes plásticas, crônica, Infância, Leitura, literatura, semiótica on 20 fevereiro, 2010 by Marco Aqueiva

 

A VALISE AMARELA ENCANTADA 

por Tânia Du Bois

 

         Na valise amarela carregavam tudo das crianças, enquanto bebês. Depois, foi transformada em biblioteca ambulante e, por isso, encantada e indispensável na vida de Júlia e Luísa.

         As crianças adoram sonhar. A imaginação infantil se apresenta em diversas situações, sendo uma delas o hábito pela leitura ou o seu acompanhamento (fundamental para o desenvolvimento infantil).

         Júlia (4 anos) e Luísa (2 anos) carregam sempre a valise amarela. Ela é pequena, mas repleta de grandes obras, como os clássicos da literatura infantil, em que Luísa, ao ouvir a leitura d’O Soldadinho de Chumbo, cria novo rosto, muda o personagem, e o chama de A Bailarina de Chumbo. Ou as princesas que encantam a vida de bailarina de Júlia. Os contos do Fundo do Baú, Fábulas de Ouro, as histórias de Monteiro Lobato.

         Júlia e Luísa são donas de imaginação que vai às alturas, incorporam os super-heróis a cada momento. Quando uma história lhes é contada, há trocas emocionais e, nessas ocasiões, é que verificamos a boa influência da valise amarela em suas vidas.

         Na valise encantada encontram-se, entre tantos escritores, esses que são verdadeiros mágicos por transformarem tudo em motivo para a criação, como:

Ruth Rocha – faz uma arte entrelaçada; Ana Maria Machado – Eu era um dragão; Maria Clara Machado – palavras novas em estilo simples e claro, com divertido ritmo, Lila e Sibila na Praia; Cecília Meireles – Isto ou Aquilo; Tatiana Belinki – Limeriques, histórias contadas em 5 linhas, ritmadas e bem maluquinhas. 

         Ainda, Ziraldo, “A letra N e o nascimento da Noite” – “A noite é o casamento / da letra N e de Oito…” Carlos Nejar, “As águas que conversam” – “Andar em roda / gigante / no tenro alpendre / das ondas…” José Saramago, “A maior flor do mundo” – “Era uma flor… E como este menino era especial de história, achou que tinha que salvar a flor…” Chico Buarque, “Chapeuzinho Amarelo” – “Tinha medo de tudo, … Ouvia conto de fada e estremecia. Depois, acabou o medo e ele ficou só com o lobo…” Gabriel Garcia Márquez, “A luz é como a água” – “Totó me perguntou como é que a luz acendia, só com a gente apertando um botão… A luz é como a água – respondi – A gente abre a torneira e sai…” 

         A valise amarela é poderosa porque contém esses e tantos outros consagrados da literatura infantil. É a sinfonia que contagia Ju e Lu a participarem dessa viagem sem fim que é ter a vida como um palco.

         Elas curtem, brincam e conversam com os livros e seus personagens. Fazem da sua casa um picadeiro, onde cada uma apresenta uma atração diferente. Arregalam os olhos e deixam o coração, a emoção, outra vez, rodopiar no circo da imaginação, como passarinho a bater as asas em uma orquestra.

         Além de se divertirem, a fantasia faz com que elas compreendam e aceitem o mundo em que habitam e a lidar com as “bruxas”.

         Luísa e Júlia não estão apenas carregando a valise amarela, estão, através do lúdico, aprendendo a viver.

         Saramago pergunta: “E se as histórias para as crianças passassem a ser leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?”

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Imagem: Marco Aqueiva

 

VaLiSe poéTica doS TímidoS

Posted in crônica, literatura, Literatura Brasileira, literature, semiótica, Valises on 28 junho, 2009 by Marco Aqueiva

manet_dejneur

 

 

por NILZA AMARAL

Fulgêncio, morador do segundo andar, recorta anúncios de culinária e fotos de sexo explícito, que esconde dentro de uma valise com fechadura metálica, gosta de frango com polenta que come quase todos os dias na mesmice de sua rotineira vida solitária quando se entrega à tarefa de retirar a carne branca de junto dos ossos, misturar  com a polenta, e  observar o casal que se beija sob a árvore defronte ao prédio, imaginando que gosto teriam aqueles beijos  se de polenta ou de frango, pelo motivo óbvio de que Fulgêncio jamais havia beijado uma mulher, pois Fulgêncio tão fora de moda quanto o seu nome, mais feio a cada dia que passa, jamais sentiu  a carícia aveludada de um olhar feminino, nunca se aproximou o bastante de uma mulher para sentir o seu perfume, nem experimentou a tortura do amor não correspondido, nem a dor de uma separação, ou o êxtase de uma entrega, visto que Fulgêncio sai de casa “a las cinco de la tarde”, todos os dias para comprar a sua imutável  refeição, sem olhar para os lados, quase se enterrando à parede na sua caminhada até o mercado. Porém as noites existem para os tímidos. Catarse. Encontros com os desejos mais escondidos, com as palavras impensadas, com o surrealismo da vida banal de um Fulgêncio qualquer. Nas noites Fugêncio ousa. Nada de frango com polenta, nada de voyeurismo atrás de cortinas, não, nos imensos espaços da mente de Fulgêncio, desfilam gourmets estrangeiros, comidas exóticas servidas, com a flor da paixão – a tulipa – , sobressaindo rainha no jardim do éden, enfeitando as iguarias servidas no corpo maravilhoso e nu da menina que beija o namorado escondida sob as árvores do jardim de seu prédio, onde o frango com polenta e a valise tentadora o aguarda  assim que ele se desliga do seus momentos oníricos.

 

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Imagem: Manet

SonhoS reBuçaDoS na VaLiSe

Posted in conto, crônica, literatura, Literatura Portuguesa, semiótica on 21 junho, 2009 by Marco Aqueiva

Salvador Dali_nino

 

por BELMIRA BESUGA 

 

O meu Pai sonhava rebuçados ao sábado de manhã, e contava histórias ao sábado ao serão, também nos outros dias, às vezes. O meu Pai, assava batatas-doces para nos dar de prenda na noite de Natal, e na festa anual lá na terra, comprava uma camioneta de brincar cheia de bonecas em fios de pendurar ao pescoço – a camioneta, para o João, único rapaz, os fios, para nós as raparigas.

O meu Pai, que sonhava rebuçados e contava histórias e assava batatas-doces e comprava uma camioneta de brincar carregada de bonecas de enfeitar, agora, é a estrela mais brilhante e segura do céu. É de lá que continua a ensinar-me a sonhar.
Desde sempre, também, fomos habituados a conviver com todos os que, de passagem mais ou menos breve, sempre nos deixavam qualquer novidade em termos de experiência de vida. Aos “Ciganos de passagem” o meu pai fazia a barba, para eles preparava uma açorda que lhes reconfortava a existência andante, e seguiam caminho, acompanhados ainda de um talego onde cabia um pão, linguiça, azeitonas e o calor da atenção com que todo este processo se desenrolava.

 

publicado em A minha travessa do Ferreira

http://aminhatravessadoferreira.blogspot.com/

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imagem: Salvador Dali