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Hamlet na VaLiSe

Posted in Hamlet, literatura, literature, Magritte, poesia, Poetry, semiótica, Shakespeare, teatro on 23 abril, 2009 by Marco Aqueiva

magritte

 

Valise ficcional baseada na cena em que Hamlet e Horácio

observam o coveiro trabalhar.

 

por Régis Closel


Hamlet diz:
Que ofício mais nobre tem aquele senhor, Horácio.
Prepara o último quarto que deitamos para dormir.
Um leito para onde nada levamos, nem somos nós
Perdoados pela terra, que nos oferece aos vermes.

Nascemos com um grande grito e muita alegria,

Despedimo-nos em total silêncio e choro ao redor.

Morrer é apenas isso? Entregar tudo que temos

Àqueles que não cuidarão como nós, enquanto vamos
a Terras da viagem sem volta, o descanso desconhecido.

Quem lembrará que o nobre Hamlet viajou às pressas
Com as despesas pagas pelo próprio irmão??
O que ele carregou para a terra? Nada além do silêncio?
Ou aquilo que não pôde levar junto deixou comigo?

E sem dormir e sem agir não consigo dar a meu pai o descanso.

Somos aquilo que eles deixam em nós: muito mais que bens,
muito mais que posses e criados, meu querido Horário.
Carregamos na vida tudo aquilo que os outros nos deram para suportar.
Faremos isso quando for a nossa vez, como foi feito através dos tempos.
Um homem não é nada sem que deixe para o outro, algo para que ele possa ser lembrado.
Sem essa bagagem, de que viveriam grandes homens? Não de ossos nem de pó.
Vivem de algo mais que o ser humano. Algo mais discreto que o silêncio…

 

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Imagem: Magritte