Archive for the Jacek Yerka Category

pOrOs pOr sãO pauLO

Posted in Art, arte, artes plásticas, Crítica, Cronópios, Jacek Yerka, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Poética, poema, poesia, Poetry, prosa poética, semiótica, Surrealismo, Valise 2010, Youtube on 7 dezembro, 2010 by Marco Aqueiva

por Marco Aqueiva

————————————–

Não se alcança a incompreensão da cidade sem os abismos e o desconcerto de um roteiro de leitura?

Não se chega à poligrafia de São Paulo sem as certezas apoiadas nas estatísticas?

Por que não se compreendem os ressaltos da solidão e as enchentes de janeiro sem a fala dos especialistas?

Nós, loucos e lúcidos por São Paulo, podemos com todo direito cantá-la lírica e cinicamente, épica e dieteticamente, dramática e ridiculamente.

São Paulo em que tardo, ávido pela serragem da imaginação decompondo fatorialmente aqueles números inteiros pesados de logística e razão.

Nem que seja pelos poros da palavra.

Artes tarde do que nunca.

___________________

Confira texto na íntegra no Cronópios

http://www.cronopios.com.br/site/prosa.asp?id=4832

________________________

Imagem: Jacek Yerka

AdáGio para pregO marteLO e portA-retratO na VaLiSe

Posted in Art, arte, artes plásticas, Jacek Yerka, literatura, literature, poesia, semiótica on 2 março, 2009 by Marco Aqueiva

yerka

Jacek Yerka

 

por NEUZA PINHEIRO

 

 

1

 

guardava fotografias
como quem crava amores no peito
como quem guarda feridas na gaveta
 
Hoje a parede me disse
– traz teus espelhos!
 
e cá estou eu
prego  martelo  e  porta-retrato
neste desnudamento íntimo
 
como numa execução
como num orgasmo
 
me desfazendo na dor mais absurda
bebendo aos poucos meu vinho tinto
seco
em meio a uma nuvem de substâncias
tóxicas
olhos fixos no maço de cigarros
 
ao fumar você exala arsênico e naftalina
também usados contra ratos e baratas
 
e cá estou eu
prego  martelo  porta-retrato
neste desnudamento íntimo
 
como numa execução
como num orgasmo…
 2
 
cuspi o meu coração
aqui, na palma da mão
joguei na primeira esquina
 
tudo voou pelos ares
 
e tudo queimou comigo
naquela explosão
 
o meu vestido de renda
meu lápis de sobrancelhas
meus espelhos  meu batom
 
cartas de amores  de amigos
 
 
todos os meus arquivos
de solidão

Uma VaLiSe para parTida

Posted in Art, arte, conto, Jacek Yerka, literatura, literature, narrativa on 15 novembro, 2008 by Marco Aqueiva

wagary_przy_zrodle-jacek-yerka

Arte: Jacek Yerka

por Ana Luíza Penha

       _____________

 

Foi encontrada  uma valise de tamanho médio, branca sem ranhura e sem destinatário, necessária abri-la para conhecer seu conteúdo. Em face disto é preciso testemunhas, há prognósticos aqui no Balcão. Que tal fazermos uma aposta sugerem alguns.

Alguém entre os mais sábios e sensatos de mãos magras e delicados dedos pondera. Não nos pertence nada e nem dela advindos.

Noite e dia ela na terceira prateleira, entre chapéus, embrulhos, bolsas  com frutas desenhadas, livros pálidos, e documentos perdidos.

Cada dia resplandece sua brancura, fará falta  depois de alguns dias vendo-a ali simples e majestosa ao alcance de todos, sem, no entanto,  provocar cobiça.

Nenhum odor dela emana.  Nenhuma marca indicando peso demais para seus domínios. Em não sendo procurada no tempo devido, o ajuntamento é realizado ao fim de uma tarde de poucas lembranças. 

Um dos  presentes, com ar  monárquico, sugere uma cerimônia, sua textura de pelica macia  e seu modelo estilo “bolsa do doutor” impõe  respeito. Baixam-se as portas, há um segredo a ser desvendado e agora. Eis o  impasse como violar segredos, pensou-se em dinheiro, roubo de jóias de família, atiçou-se a ganância dos que brincando pedem para dividir.

Em torno da mesa gasta, com um bisturi e perícia é rompido o lacre, aparecendo varias caixas, e dentro delas outras tantas  e ao fim, em uma minúscula delicada, o segredo  revelado, com uma breve frase: “Te amo, perdoe-me por não poder estar perto como deseja, te deixo esta para sempre que partir pense  em voltar,  mas, se já não significo nada, esqueça-a num canto qualquer.
Do seu grande e eterno amor.”