Archive for the Literatura Portuguesa Category

VaLiSeS aFoRa

Posted in Crítica, Crítica Literária, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literatura latino-americana, Literatura Portuguesa, Metalinguagem, Poética, poesia, Poetry, prosa ficcional, prosa poética, semiótica, Valise 2010, Valises on 31 janeiro, 2010 by Marco Aqueiva

Caros Amigos:

 

………………………..         Nas cordas da lira

       ………………………..  canto em brancos versos

                …………………..   valises afora

………………………..         em falsete o sangue

           ……………………..   que dos olhos jorra

 

Caso apenas déssemos atenção aos números, não valeria a pena ir além das estatísticas e probabilidades. Se levasse em consideração as expectativas de resultado imediato, não daria continuidade a este projeto.

 

Posto isto, direi que tenho agora dois objetivos para o Valise em 2010:

 

1) Retomar textos temáticos em torno da ideia/símbolo valise: Receber de vocês POETAS & PROSADORES quaisquer textos que apresentem referência à valise, registrando textualmente a importância do referido objeto. Lembro que ao longo de 2008 mais de 40 autores contribuíram com esta proposta. Maravilhoso decuplicar este número. Por isso, convido-os a conferir os arquivos antigos, os de 2008.

 

2) Continuar apresentando as VaLiSeS meta-PoéTicAs, desenvolvidas em 2009. Dependo também de vocês POETAS & PROSADORES para a ampliação desta proposta.

 

Conto com vocês. Aguardo ansiosamente suas contribuições.

Escrevam para marcoaqueiva@yahoo.com.br .

 

Marco Aqueiva

ViEira no metrÔ

Posted in António Vieira, Literatura Brasileira, Literatura Portuguesa on 29 setembro, 2009 by Marco Aqueiva

InstitutoCamoes352

vieira

 

A exposição “A Vida e a Obra de Padre António Vieira” estará em circulação entre três estações do metrô paulista durante os meses de Setembro, Outubro e Novembro.

Até o dia 30 de Setembro ela foi conferida na Estação República. Em Novembro ele segue para a  Estação Luz.

O objectivo desta exposição é divulgar a vida e a obra  de um dos mais influentes e importantes autores da língua portuguesa.


1 a 31 de Outubro de 2009


Estação Imigrantes

Metro de São Paulo

VaLiSeS meta-PoéTicAs XxxV

Posted in Albano Martins, literatura, Literatura Portuguesa, Metalinguagem, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica on 13 julho, 2009 by Marco Aqueiva

Cezanne_Pyramid_of_Skulls

 

Circuito

por ALBANO MARTINS

 

 

Eis a nossa vida de enterro,

a nossa vida de operários fúnebres

conduzindo a morte como um veículo

através de labirintos de gestos

e precipícios de palavras.

VaLiSeS meta-PoéTicAs XxxiV

Posted in Albano Martins, literatura, Literatura Portuguesa, literature, Metalinguagem, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica on 11 julho, 2009 by Marco Aqueiva

__VALISE_metapoéticas

 

Por ALBANO MARTINS

 

                          _________________

 

 

Não forces a tua inspiração.
Deixa a poesia vir naturalmente
e não obrigues a mentir o coração.

Procura ser espontâneo.
A verdadeira beleza
está no que o homem tem de semelhante
com a natureza.

 

 

_________________

 

 

Secura verde

 

É verde esta secura, como é verde
a raiz duma planta que secou.
Posso ter o corpo aberto
e não mostrar o que sou.

Meus versos podem ser tristes
e eu ter profunda alegria.
Aves noturnas que buscam,
inquietas, a luz do dia.

Os recessos do poeta: uma homenagem a Fernando Pessoa

Posted in Art, arte, artes plásticas, literatura, Literatura Portuguesa, literature, Nicolau Saião, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica on 1 julho, 2009 by Marco Aqueiva

Nicolau_O tradutor_homenagem Pessoa

Arte: Nicolau Saião

VaLiSeS meta-PoéTicAs XxxiI

Posted in Crítica, Crítica Literária, literatura, Literatura Portuguesa, literature, Manuel Alegre, Metalinguagem, Poética, poema, poesia, Poetry on 22 junho, 2009 by Marco Aqueiva

__VALISE_metapoéticas

 

O homem sentado à mesa

por MANUEL ALEGRE

 

Eis o homem sentado à mesa 
Diante da folha branca. 
Um longo, longo caminho, 
Da vida para a palavra. 

Decantação, purificação 
Para chegar ao pássaro. 

O homem que está à mesa 
Atravessou muitos desertos 
Virou do avesso a certeza 
Naufragou nos mares do sul. 

Entre ditongo e ditongo 
Para chegar ao pássaro 
Tu próprio terás de ser 
Cada vez mais substantivo. 

Irás de sílaba em sílaba 
Ferido por sete espadas 
Diante da folha branca 
Serás fome e serás sede 
Como o homem que está à mesa, 

O homem tão despojado 
Que a si mesmo se transforma 
No pássaro que busca a forma. 

Este é tempo do homem 
perdido na multidão 
Como ser desintegrado 
Na folha branca da cidade. 

Tempo do homem sentado 
À mesa da solidão. 

Há palavras como asas, 
outras mais como raízes. 

O pássaro voa por dentro 
Do homem sentado à mesa. 
Vai de fonema em fonema 
Sobre as cordas dos sentidos. 
  
Se vires o homem que passa 
Como se fosse no ar 
Já sabes: é o homem que está 
Diante da folha branca. 
  
Às vezes levanta vôo 
Para outro espaço, outro azul 
E deixa dentro das sílabas 
Um rastro como de sul. 
  
Quando recordas, 
Quando a tristeza 
toca demais as cordas do coração 
  
Quando um ritmo começa 
Dentro das palavras, 
  
Um sapateado inconfundível 
(Malagueña, malagueña!) 
E a folha branca é uma Espanha 
Para cantar, para dançar 
Para morrer entre sol e sombra 
Às cinco em sangue… 
  
Então verás chegar 
O homem sentado à mesa 
Às cinco en sombra de la tarde 
Malagueña, Malagueña! 
Diante da folha branca 
Como por terras de Espanha. 
  
Nos descampados deste tempo 
Nos aeroportos auto-estradas 
Nos anúncios sob as pontes 
Talvez no marco geodésico 
  
No fumo do lixo ardendo 
No cheiro do alcatrão 
Nos dejectos de lata e plástico 
Nos jornais amarrotados 
Nas barracas sobre a encosta 
Na estrutura de betão 
Sobre o gasóleo e a tristeza 
Sobre a grande poluição 
Onde nem folha ou erva cresce 
  
Seco, duro, estéril tempo 
Diante da folha branca 
Da solidão suburbana 
Onde a multidão se perde 
Entre tristeza e tristeza 
  
Às vezes um coração: 
Talvez um pássaro verde 
Ou talvez só a canção 
Do homem sentado à mesa 
  
O homem que está à mesa 
Tem qualquer coisa que escapa 
Qualquer coisa que o faz ser 
Ausente quando presente 
  
Às vezes como de mar 
Às vezes como de sul 
  
Um certo modo de olhar 
Como atravessando as coisas 
Um certo jeito de quem 
Está sempre para partir. 
  
O homem sentado à mesa 
Não está sentado: caminha 
Navega por sobre os mares 
Ou por dentro de si mesmo. 
  
Vem de longe para longe 
Do passado para agora 
De agora para amanhã 
Está no avesso da hora! 
  
Solta o pássaro, não pára, 
Tem outro espaço, outro azul 
Às vezes como de mar 
Às vezes como de azul 
  
E não se tem a certeza se está do lado de cá 
Ou se está do outro lado, deste lado onde não está. 
Mesmo se sentado à mesa 
Não é possível detê-lo 
O homem que tem um pássaro 
É sempre um homem que passa. 
  
Tem qualquer coisa que nem se sabe 
O quê nem de quem 
  
É talvez um mais além 
Algo que sobe e que voa 
Entre o Aqui e o Ali 
Algo que não se perdoa 
Ao homem quando ele tem 
Um pássaro dentro de si… 
  
Há um tocador a tocar 
As harpas de cada sílaba 
  
Diante da folha branca 
Tudo é guitarra e surpresa. 
  
Escutai o pássaro e o canto 
Do homem sentado à mesa!

SonhoS reBuçaDoS na VaLiSe

Posted in conto, crônica, literatura, Literatura Portuguesa, semiótica on 21 junho, 2009 by Marco Aqueiva

Salvador Dali_nino

 

por BELMIRA BESUGA 

 

O meu Pai sonhava rebuçados ao sábado de manhã, e contava histórias ao sábado ao serão, também nos outros dias, às vezes. O meu Pai, assava batatas-doces para nos dar de prenda na noite de Natal, e na festa anual lá na terra, comprava uma camioneta de brincar cheia de bonecas em fios de pendurar ao pescoço – a camioneta, para o João, único rapaz, os fios, para nós as raparigas.

O meu Pai, que sonhava rebuçados e contava histórias e assava batatas-doces e comprava uma camioneta de brincar carregada de bonecas de enfeitar, agora, é a estrela mais brilhante e segura do céu. É de lá que continua a ensinar-me a sonhar.
Desde sempre, também, fomos habituados a conviver com todos os que, de passagem mais ou menos breve, sempre nos deixavam qualquer novidade em termos de experiência de vida. Aos “Ciganos de passagem” o meu pai fazia a barba, para eles preparava uma açorda que lhes reconfortava a existência andante, e seguiam caminho, acompanhados ainda de um talego onde cabia um pão, linguiça, azeitonas e o calor da atenção com que todo este processo se desenrolava.

 

publicado em A minha travessa do Ferreira

http://aminhatravessadoferreira.blogspot.com/

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imagem: Salvador Dali