Archive for the música Category

Num Café

Posted in Art, artes plásticas, conto, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, música, Philip Glass, semiótica on 28 julho, 2010 by Marco Aqueiva

MIGUEL WESTERBERG - 2008 - Conversas no Café a Brasileira Chiado Lisboa

Por Marco Aqueiva

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Será mesmo um café? Relê. Acesso restrito a escritores e poetas. Luz convidativa. Entrada à direita livre. Ele lá fora num boteco sujo entre dejetos e dívidas. À esquerda põe os grandes olhos no bolinho de carne. Minhocas brotando do tecido orgânico que come. Esfrega os olhos e o verso do bolso quando a grama acaba. A alma do negócio é sempre uma receita contra o tédio. Mas será mesmo aquilo um café? Juntam-se agora aos dejetos, dívidas e dúvidas aquela que passa olho na perna. Será mesmo ela entrando no café que as memórias sentimentais me deixou rever? Ele lá na malhação dos olhos e da boca pesados de chorume. Minhocas, repete para si mesmo. Ele lá sem colírio ou listerine. No tráfego intenso atrás das bem fornidas pernas que entram, sem olhar para trás, à direita.

Imagem: MIGUEL WESTERBERG – 2008 – Conversas no Café a Brasileira Chiado Lisboa

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O mar, ao mar, na VaLiSe

Posted in literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Mar, música, Paulinho da Viola, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica, Timoneiro_Paulinho da Viola, Valise 2010 on 17 abril, 2010 by Marco Aqueiva

 

por Marco Aqueiva

 

Nada mais parecido com o mar do que sua imagem.

Mas cuidado com o vão entre o mar e a imagem do mar.

No mar os olhos vão ao encontro do horizonte e gasta-se o impossível na ambição suprema de alcançá-lo.

Em perseguição à imagem do mar sigo algumas palavras – poesia, princípios do sonho e realidade, jogos, conceição do prazer da literatura – em circulação nas comunidades que freqüento, seus roteiros e cantos de sereia.

Teimo em destravar os fechos da ilusão esperando surgir o mar inteiro

nestas valises.

uMa VaLiSe eNfiaDa Na LaMa

Posted in Chico Science, crônica, da lama ao caos, groove, literatura, Literatura 2010, literature, mangue beat, Mangue boys, música, Nação Zumbi, semiótica on 28 março, 2010 by Marco Aqueiva

Uma antena enfiada na lama

Num dia de sol nascendo, sendo levado sonolento ao trabalho, acordei em Sampa com palavras saltando da parada de ônibus. Periferia é sangue! A porção de imobilidade que havia em mim sacudiu-se com a mesma sensação de inércia do dia anterior. Ô Josué, eu nunca ví tamanha desgraça quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça. Podia desligar o MP4 e continuar séssil e flatulento. Posso sair daqui para me organizar. Posso sair daqui para desorganizar. Viva Zapata! Viva Sandino! Viva Zumbi! Antônio Conselheiro! Todos os panteras negras. Salve Chico Science, que carregava a palavra certa pra doutor reclamar.

Continuem a fazer-se mangueboys e manguegirls e talvez um dia reencontremos Chico Science espesso e fecundo revolvendo a lama dos urubus de Recife. De Brasília.

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imagem e texto: marco aqueiva

Da VaLiSe do Talking Heads

Posted in Art, arte, conto, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, mídia, música, semiótica, Talking Heads, Talking Heads Psicokiller, Valise 2010 on 9 fevereiro, 2010 by Marco Aqueiva

Por Marco Aqueiva

Uma mala sem alças não quero. Disse-lhe. Ele exigiu. Quando falar comigo olha-me nos olhos. Ele repetiu com indiferença fingida. Sem ter o ar de ver-me insistiu. Quando falar comigo, olha-me nos olhos. Não, não posso correr-me daqui numa mala sem alças. É a última vez que te digo, olha-me nos olhos. Sinto correr no corpo todo aquele ímpeto a partir de mala e… Sem que terminasse a frase, e olhando-a nos olhos. Tu bem sabias. Tu bem sabias com quem está lidando. Não adianta mais, Miss Dólar. A pele é passageira. Meu corpo bonitinho corre pro ralo. Sua vagabunda, olha nos meus olhos quando fala. Viu então nitidamente aproximar-se uma bandeja de prata com ódio, a fumaça a sair das ventas e a faca a cortar-lhe definitivamente os calcanhares.

Matador Psicótico

Mais dois caminhos para um bom leitor de valises

Posted in literatura, literature, música, narrativa, poesia, semiótica on 6 agosto, 2008 by Marco Aqueiva

Querido Poeta Arnaldo Antunes:

 

“Poesia é Visual”… sim!

 

Psiu!

 

Com concretas palavras, cimentamos a VOZ do POETA, e feitos pás de argamassa, selamos nossa língua junto aos dedos, momentos que num pulsar de sangues nos tornam elos, anéis, pontes de letras a palavras.

 

Lentes Concretas, canais de leituras, seremos a boca entre corações, e por aí vamos deCantando na poeira, estrada e vida a outros olhares. Talvez, queiramos que o gosto das sílabas sigam colas a mais palavras, tintas além dos ritmos que no papel serão versos.

 

Psiu!

 

Querido Poeta, sabemos que saliva é clareza, síntese, interação que selam forma e conteúdo que unem carneMente – poesia, oral idade, jogo lúdico – que nos imaginem para mais dias nascerem felizes…

 

E a vida não seria isso?

 

Cantos que conversam, pois seguindo canção a outros significantes, talvez nosso andar siga a concha que colete o ritmo do mar, assim água e signo seguem o fluxo dos rios a contínuos portos vivos que nos re-signifiquem.

 

É verdade: “a poesia tem público muito pequeno, e a canção popular acaba sendo um poderoso meio de veiculação da linguagem poética cantada.” Mas será que sem poesia haveria o vice-versa?

 

Psiu!

 

Querido Poeta, entre piscina e pia, está a linguagem, um mar de tudos que vai além do imaginável, portanto batizável, já que quem a usa é quem vai reinventá-la, e “qualquer coisa que não fique ilesa, qualquer coisa, qualquer coisa que não fixe“ e escorra, desCANTA, perfura a realidade, criando outros cenários para subverter os olhos a olhar o que antes nem existia…

 

Sim, a Poesia é visual!

 

E se insisto, é porque com Ela desejamos ver para ser lidos, tocados por todos, tipo sangue que batuca ossos, cérebro e coração, regaços onde colocamos nossas mãos a produzir conversas, encontros…por isso Vidráguas, uma palavracolada, que feito nascente, deseja um tempo entre-lugares, apesar das movediças fronteiras, titãs, entrelaçamos mãos e mídias para que o canto dos pássaros encontre sempre a sua Foz!

 

Ave Poesia!

E como dizes: “os grandes professores são os que conseguem motivar os seus alunos.”

 

Por isso, uma carta, um escrito, uma conversa e junto abraços mil, um desamarrar de velas para outras Valises.

 

Carmen Silvia Presotto

 

Porto Alegre, 18 de julho de 2008.

Crédito de imagem: Pasticho criado a partir de imagem encontrada em 

www.flickr.com/photos/19759839@N00/979651342/

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“O sapo na valise”, de  Jair dos Santos Altério, é agora

 

carregado por  Carlos Pessoa Rosa

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E tem o ditado: não deixe para amanhã o que pode ser feito hoje. Ontem a história teria sido outra. Não engoliria o sapo. Mas hoje! Sangue limpo de álcool e droga. Cedo, estou mais para arrependimentos e culpas, menos para acerto de contas. Se descobrisse a fotografia em alguma ilha do dia anterior, esvaziaria a AR-15 nos miolos dos dois. Hoje estou mais para movimentos ecológicos que corpos frios sobre o mármore. Pelo menos, já tenho motivo para colocar a cabeça na rua, é chegar no boteco do Valdir e pedir uma cerveja. O álcool também serve como descarrego da alma. Festejando o quê? É Valdir, sujeito bonachão, tipo dono de boteco, bermudão, camisa aberta e sandália havaiana. Para ser corno tem hora, cara? Valdir é um sujeito educado, não comentou, apenas serviu a bebida. Essa é por conta da casa. Não gostei… Havia algo de sacana no rosto dele, como a me dizer: amigo, a história está na boca do povo… Só você não sabia.

 

Crédito de imagem: Pasticho a partir de imagem Lefteris Pitarakis/AP