Archive for the Poesia espanhola Category

O segundo milhão ninguém esquece

Posted in Art, arte, artes plásticas, Artes Visuais, Cronópios, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, poesia, Poesia espanhola, Poetry, semiótica on 15 julho, 2010 by Marco Aqueiva

 

anTeNe-Se na VaLiSe inConSpuRcáVeL (parte iV)

Posted in Art, arte, Arte engajada, artes plásticas, Artes Visuais, Garcia Lorca, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Metalinguagem, Musica Espanhola, Paco de Lucia, Poética, poema, poesia, Poesia espanhola, Poetry, Roberto Piva, semiótica, Valise 2010, Valises on 6 julho, 2010 by Marco Aqueiva

 

CHÃO E DESASSOSSEGO

 

                             a Roberto Piva

                             (tendo Garcia Lorca ao fundo) 

 

Todos os dias

 

monitor teclado

 

janela portão

 

 

o mesmo cercado

 

olhos barrentos

 

sempre algum lá

 

 

no meio da canela

 

desconsola

 

mas não

 

não nos mata.

 

 

Ó Órficos

 

não tendes gumes

 

estendes quinas contra

 

os olhos, e a vida

 

que só ela bastaria.

 

             Marco Aqueiva

                 Julho/2010

Poets in New York

Posted in Chico Buarque, Ferreira Gullar, Garcia Lorca, literatura, literature, poema, poesia, Poesia espanhola, Poetry, Poets in New York, provocações, Raimundo Fagner, semiótica, Terrorismo de Estado, Valise 2010 on 5 junho, 2010 by Marco Aqueiva

Federico GARCIA LORCA, fuzilado pelos franquistas em 1936, como profeticamente registrou seu compatriota GOYA, nasceu em 5 de junho, em uma remota Espanha de cais deprimido e regras inacianas.

Entre junho de 1929 a março de 1930, Lorca esteve em Nova York. Sob os efeitos da Grande Depressão de 29 escreveu talvez os poemas de temática social mais contundentes da lírica ocidental.

Uma pequena medida da sensibilidade e força destes versos vemos na interpretação de Leonard Cohen, na postagem anterior.

Veja-se agora que poema certeiramente pungente, na tradução de Ferreira Gullar, acompanhado de interpretação de Chico Buarque e Raimundo Fagner.

A Aurora

A aurora de Nova Iorque tem
quatro colunas de lodo
e um furacão de pombas
que explode as águas podres.

A aurora de Nova Iorque geme
nas vastas escadarias
a buscar entre as arestas
angústias indefinidas.

A aurora chega e ninguém em sua boca a recebe
porque ali a esperança nem a manhã são possíveis.
E as moedas, como enxames,
devoram recém-nascidos.

Os que primeiro se erguem, em seus ossos adivinham:
não haverá paraíso nem amores desfolhados;
só números, leis e o lodo
de tanto esforço baldado.

A barulheira das ruas sepulta a luz na cidade
e as pessoas pelos bairros vão cambaleando insones
como se houvessem saído
de um naufrágio de sangue.