Archive for the Professor Category

MagisTéRio de LiTeRaTuRa

Posted in Crítica Literária, Euclides da Cunha, Fábio Lucas, Leitura, literatura, Literatura Brasileira, Professor on 10 outubro, 2009 by Marco Aqueiva

Fabio Joaquim Betty

Fábio Lucas (ao centro); Joaquim Botelho (à esquerda) e Beth Vidigal (à direita)

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por Marco Aqueiva

É inexplicável quanto nos valem os livros para viver. As palavras exatas de Montaigne não me pertencem infelizmente à memória. Só Deus sabe o quanto me dói na carne apreciar tanto um texto (um poema sobretudo) e muitas vezes não conseguir retê-lo magicamente exato como um eco perene e sempre original. É inexplicável o quanto nos vale a palavra para viver. Sim, é verdade que as palavras se dissipam muitas vezes em papéis e vozes bífidas. Falsas alegrias e dores são por vezes escovadas e escondem intenções escusas. Tudo isso parece verdade, e já se disse que a mentira e seu contrário celebram igualmente aniversários, formaturas, promoções, glórias e homenagens.

Por isso mesmo, faço uma pequena correção de percurso e digo que é inexplicável mesmo o quanto nos vale a vida e os livros quando o tempo é o nosso tempo. O nosso tempo parece ser marcado, de um lado, pelos grandes engodos de uma sociedade fundada no consumo infrene; por outro, e associado visceralmente àquele, parece estar nosso tempo reduzido a imagens prontas que, onipresentes, desarmam os olhos e ameaçam calar toda palavra e reflexão. Não concordo, todavia, com aqueles que alardeiam o fim da literatura. Por outro lado, tenho receio de que a palavra que seguíamos percorrendo volumes continue a ceder ainda mais espaço ao império da imagem a ponto de, alguém disse, trocarmos as letras pelos emoticons e afins.

Porque a motivação destas linhas é sim a literatura que se compõe de e na vida, distribuir literatura é tarefa do escritor e do leitor, qualquer que seja ele: o próprio autor, o crítico, o professor. Porque sabemos que a literatura é uma interrogação do escritor lançada à vida, compreendemos o quanto é importante estarmos preparados para ler satisfatoriamente literatura. O quanto é importante ser um leitor ativo, aquele de consciência crítica. Ensinar a ser um leitor ativo, de consciência crítica, é tarefa específica de crítico e professor. É tarefa de professor e crítico dar as condições suficientes para que o ato cognitivo da leitura seja proveitoso ao leitor. Sabemos o quanto a competência em leitura contribui para o desenvolvimento cultural de qualquer país. Comprometer-se, dizia, com o ensino da literatura é profissão. O que podemos dizer de quem há mais de cinqüenta anos (50 anos!) dedica-se à crítica e ao ensino da literatura: Fábio Lucas. Curiosos e reveladores transistores os da história da língua que denunciam o laço de parentesco entre magistério, maestro e mestre, predicados de Fábio Lucas.

 

Por que temer o panegírico quando ele explica mais uma vez a missão cumprida do homem comprometido com sua vocação? Mestre Fábio Lucas, acompanhado de Beth Vidigal e Joaquim Maria Botelho (todos os três diretores da União Brasileira de Escritores), veio palestrar para a Faculdade de Ciências e Letras de Bragança Paulista sobre o legado de Euclides da Cunha, neste ano do centenário de morte do autor de Os Sertões. Todos os três professores, e o foram de tal modo competentes e convincentemente professorais que seguramente contribuíram para o conhecimento deste grande autor da literatura brasileira.

 

Nós, professores e alunos da faculdade, mais a comunidade bragantina, agradecemos.

E nem Enem (novela crítica) ii

Posted in Dia do Professor, E nem, Educador, ENEM 2009, Professor on 2 outubro, 2009 by Marco Aqueiva

Professor

Mas isso é lá com o Benê, teria dito um dos atravessadores. A certeza estava lá. Na lábia. Para ganhar comissão. Acreditemos nos sinais: um contato telefônico e a Moral da Cegonha: ignorância real das coisas + fala de imaginação + sentimento de autoridade ante a prole entre indiferente e curiosa. E o dono de pizzaria oferecendo pizzas a quatro dias da prova? E nem que a prova tivesse sido aplicada, a alegria da pizza com  guaraná seria mesmo para depois do Carnaval. A prova dos nove não é o vestiba. E quem mesmo vai pagar os R$ 34 milhões da pizza? Isso, é bom mesmo que se saiba, é lá com o Benedito…

E nem Enem (novela crítica)

Posted in Dia do Professor, E nem, Educador, ENEM 2009, Professor on 1 outubro, 2009 by Marco Aqueiva

Professor

 

E nem

 

por Marco Aqueiva

 

Melhoria genética da nação. Centenas de milhares de estudantes confinados por mais 45 dias. Confinados e alimentados com ração de engorda limitada a doses e mais doses de estudo intensivo. Estudo não é outra coisa que trabalho cuidadoso, ensina a etimologia, e a engorda a que estão submetidos os estudantes segue as normas de padronização estabelecidas para a criação de estudantes preparados para enfrentar o matadouro Internacional, digo, o mercado nacional. Busca-se a proeza de superar os índices de produtividade ano após ano. Os estudantes de Santa Fé do Sul são mais produtivos que aqueles de Olhos d’Água? O rendimento máximo é resultado de uma proteína natural e eficaz que, introduzida na corrente sanguínea dos munícipes, certifica que todos os brasileiros estão presos e condenados à escola, à padronização, à engorda, ou qualquer outro nome, que no caso das cadeias de produção, ou nação, dá no mesmo E nem poderia dar outra.