Archive for the Projeto valise 2009 Category

DeNtrO Da PeQueNa VaLiSe

Posted in Art, arte, artes plásticas, Dia nacional da Poesia, literatura, Literatura Brasileira, literature, Poética, poema, poesia, Poetry, Projeto valise 2009, semiótica, Valise 2010, Valises on 14 março, 2010 by Marco Aqueiva

                 por Nestor Lampros

  

Avultam abusos.

Entre o que come e o que escorre;

Entre o que mija e o que sobrepisa;

Entre o que entra e o que afaga;

Entre o que penetra e o que interpreta.

 

Irando as ilhas antes de dormir a faca coagula

O cetro que inaugura entornos assimétricos…

 

Depois mais abandonos.

 

Súbitos poetas na net descrevem o que roda,

Sem parar na noite caótica

Que brilha ao

Brilhar.

Convulsos negros

Dentro das gavetas, facas ao

Mesmo tempo dependentes do ócio.

 

Surras vespertinas no avulso dos ossos.

Entre as esferas biliares um olho que mira o sono

Dos deuses mortos pelo papel,

Invento sem trégua nem carretéis  de nenhuma linha ocorrem

Antes de nascer.

 

Os vultos carregados de neblinas

Correm, aflitos, as pandemias

Loucas de uma agulha

Caída no sangue desinfetado.

 

E na hora esgrimista, antes de saírem do tédio,

Surge em volutas sonoras

Um rodopio.

 

Os pássaros destros empilham seus mortos.

 

Eu reprimido pelo peso

Fantástico do éter

Corrijo

A noção do ópio.

 

Entre a mira  e o som dos dedos

Abro minha valise.

 

Dentro trago um pequeno deus

 

Envolto em celofane e pronto para ser devorado

Pelos meus trinta e três cabelos  mudos.

 

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Imagem: Marco Aqueiva

VERde esVOAçante VAlise

Posted in literatura, Literatura Brasileira, literature, poema, poesia, Poetry, Projeto valise 2009 on 18 julho, 2009 by Marco Aqueiva

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MOSCA TONTA: uma valise esvoaçante      

 

por TÂNIA DU BOIS

 

 

Por escolha, Pedro Du Bois há muito tempo esvoaça para a sua poesia a imagem da vida que o cerca, com registro literário formado pelos tipos e situações vigentes; desenvolve uma arte que documenta os gestos e o distanciamento das pessoas, como mostra em seu poema Mosca Tonta:

 

“Quem algum dia disse 

que a luz escura não tem mais brilho

não lembra de alguém que um dia lhe disse:

saia desse caminho, siga por outra estrada,

que segue ao lado, ornada por grandes árvores,

verdes, verdejante e não pálidas.

 

Ele esquece, eu me lembro nitidamente

da hora em que foi dito isso com a maior seriedade;

fosse para ele, para mim, da maior seriedade.

 

Hoje, já tão distante no tempo, no sentido

revejo a cena como nuvem já sem brilho

e penso que tolo fui em não seguir o conselho.

 

Segui pela estrada errada, ontem, hoje, sempre e nada.

Sou como uma mosca tonta, sem saber da tua chegada”.

 

Nem sempre me dou conta da ousadia do poeta ao bater com força as suas asas, atraindo a minha atenção pela beleza dos seus gestos e dos seus poemas.

Documenta seus pensamentos, provocando a musicalidade existente em mim. Em instantes, o poeta conquista a minha vida. Em suas páginas, desperta os sentidos para que eu reflita, respire fundo e reserve um tempo só para mim e a sua poesia. Linhas que me dão acesso a alguns dos meus melhores momentos e trazem para a minha leitura a sensação de ir a algum lugar sem saber o que vou encontrar – é estimulante e rejuvenescedor -, estonteante e esvoaçante como uma “Mosca tonta”.

 

ReTOmanDO as alças da VaLiSe

Posted in 2009, Art, arte, literatura, literature, Projeto valise 2009, semiótica, Valises on 31 janeiro, 2009 by Marco Aqueiva

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O que em mim sente está pensando que estes olhos de viagem respiram mares, sóis sem nuvens, corpos abertos ao vento e à comunicação, a humanidade do erro e da sede, a liberdade do horizonte, a poesia desperta para aproximações e encontros.

 

Atibaia – São Paulo – Itapema – Porto Alegre – Belo Horizonte – Natal, Bragança Paulista, quantos escritores e poetas desconfinam-se do isolamento e subsolo solipsista para um vasto e amplo cenário de encontros. É fabuloso o que a web propicia: encontros, beiras, aproximações e às vezes boas amizades, como as que venho cultivando com Carlos Pessoa Rosa, Pedro e Tânia Du Bois, Carmen Silvia Presotto, Nilza Amaral, Adriana Versiani, Ana Luiza Penha, Dirce Lorimier, Francisco Chagas, Nestor Lampros, Saide Kahtouni, os amigos da ASES, e tantos mais, que não deixa de ser, de fato, uma indelicadeza não referir  a todos os demais amigos e colaboradores. Perdoem-me as omissões que a literatura como toda atividade e processo humano é falho per si.

 

Poetas e prosadores, performers e declamadores, experimentalistas e conservadores, bons e maus escritores, buscam o sem-fronteiras da comunicação literária. E assim, de certo modo, a web propicia encontros, aproximações, beiras e acessos a leitores.

 

A vida é tão curta: por que, raios, está você então me lendo agora? Talvez você devesse buscar outro brinquedo. A web tem tanta coisa legal. Tem 107 razões para ser feliz… Aqui, na web, a existência é uma ventura e aventura, um fluir caudaloso, de súbitas e imediatas emoções-revelações.

 

Poetas são crianças adultas brincando com toda a seriedade porque não crêem na poesia como mero brinquedo.

 

Por isso retomemos as alças desta valise.

 

Colaboradores, please, voltem a descarregar da retina e da memória das valises da existência e do jogo ficcional as gemas e germes deste projeto.

 

Quem não o fez ainda pode já agora enviar sua colaboração.

 

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relembrando aceitamos:

 

Valises ficcionais (poesia/prosa), textos que apresentem o objeto valise;


Valises ensaísticas, sem academicismos, maiores pretensões, respondendo à seguinte questão: o que autor por você apreciado carrega/esconde na valise?

 

Em torno destas duas orientações básicas, há toda uma grande gama de possibilidades.

 

Escreva-nos no endereço marcoaqueiva@yahoo.com.br .

 

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Arte e texto: Marco Aqueiva  a partir de Parati