Archive for the Surrealismo Category

pOrOs pOr sãO pauLO

Posted in Art, arte, artes plásticas, Crítica, Cronópios, Jacek Yerka, literatura, Literatura 2010, Literatura Brasileira, literature, Poética, poema, poesia, Poetry, prosa poética, semiótica, Surrealismo, Valise 2010, Youtube on 7 dezembro, 2010 by Marco Aqueiva

por Marco Aqueiva

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Não se alcança a incompreensão da cidade sem os abismos e o desconcerto de um roteiro de leitura?

Não se chega à poligrafia de São Paulo sem as certezas apoiadas nas estatísticas?

Por que não se compreendem os ressaltos da solidão e as enchentes de janeiro sem a fala dos especialistas?

Nós, loucos e lúcidos por São Paulo, podemos com todo direito cantá-la lírica e cinicamente, épica e dieteticamente, dramática e ridiculamente.

São Paulo em que tardo, ávido pela serragem da imaginação decompondo fatorialmente aqueles números inteiros pesados de logística e razão.

Nem que seja pelos poros da palavra.

Artes tarde do que nunca.

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Confira texto na íntegra no Cronópios

http://www.cronopios.com.br/site/prosa.asp?id=4832

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Imagem: Jacek Yerka

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VaLiSeS meta-PoéTicAs XxxvI

Posted in Art, artes plásticas, literatura, Literatura Brasileira, literature, Metalinguagem, Poética, poema, poesia, Poetry, semiótica, Surrealismo on 26 julho, 2009 by Marco Aqueiva

frida kahlo

 

 

por  BEATRIZ  BAJO

 

Quando eu nasci, vim sem quadril

como usar um fêmur que não coube na bacia?

ossatura descarrilada, toda soltura

quase tilintando na curvatura da inteireza que me sobra

sem cartilagem, tirando a coberta

horte la mento sacrifício aparelho

encalhada fixa presa melhoramento

embrulho de escancaramento de movimento

luxação congênita, desencaixe maior

extremidade inferior apta à locomoção

outras maneiras de andar outras veredas

centrífuga trilha a da abstração

assim que me criei fortalecendo o pandeiro

re-quebrando em rebeldia que resiste

na tela que não espera o convite

loquacidade ácida para quadros não concebidos

outros rostos, rastros moldurados nus

que não encaixam nas penas de feições destras

não cabem nas portas de cínicas lógicas internas

dialógicas ilógicas auto-rias ser brincante

sujeito – sujo – jeito

silencioso sentido entre os vãos da queda lenta

sacudindo “issos” dentro de um precipício com o qual se flerta

investigação aos calabouços de escritura

alquimia de palavras em escuridões que se clarificam

entre o sacolejar do desmoronamento

enredado a um destino fabulado sem resposta
caí..estamos nele (então)

conto de mesmo nome em distintas datas de eternos hojes

en(fim) de mais um começo no quase que é nunca

longe é um lugar que existe e permaneceu em mim

nesse obscuro samba-saudade, verbo que conjugo pelos minutos adentro

não sei qual meio…conheço o que des/cubro quando no papel se aclara

ritual particular de quem comunga com quentura sanguínea ainda não sentida

en.saio entre os vitrais enigmáticos dessa vida atrás e através

pluma no peito do verso, febre nas ancas das tintas acesas que vem e vão

para fazer dançar as letras amolecidas pelo desejo gozado de significar

 

 

+(+(+(+(+   ***   +)+)+)+)+

Imagem: Frida Kahlo